Obrigada pela sua presença no Blog do Mãos Que Curam!

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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Contratando Casamento no Submundo e fora da Programação Original?



Pois é, ontem a noite me senti mal, como se algo estivesse errado, senti medo, um medo que algumas vezes nesta vida se insinuou em minha mente e eu deixei de lado, dizendo a mim mesma que era algo irreal, que eu não merecia: um casamento, um marido possessivo, doentio e ciumento que me privasse de ser quem sou e de fazer o que amo.
Na noite de ontem eu entrei em conexão com meu Mentor e pedi que as coisas se resolvessem, decidi desfocar do “ruim” que estava acontecendo e foquei em “como” resolver, e então esta sensação voltou em meu peito, em minha mente.
Na noite anterior eu não havia dormido nada bem, há muito tempo desliguei o abajur e decidi dormir em paz, sem medo do que estava no escuro, mas ontem o medo voltou. Era como se a cada momento que meu corpo cansado dormisse, alguém estivesse ao lado de minha cama, esperando para me tocar, obrigar a alguma coisa que eu não quero mais... Acordei infinitas vezes e acionei a tecla do notbook e assim, uma certa claridade me fazia sentir um pouco mais segura.
Senti a presença de um homem muito alto a rondar minha cama, meu sono, meu corpo, minha mente, pedi que me deixasse em paz, que saísse do meu espaço sagrado, que é meu quarto e mesmo assim ele insistiu em velar meu sono descompassado. E então, ontem a noite eu vi em minha tela mental este mesmo homem, mas eu estava acordada e lúcida, fazendo meus afazeres e me vi no Egito, em uma viagem que quero muito fazer até aquelas terras saudosas ao meu espírito. Me vi fazendo um Contrato com ele para esta atual vida em que estou e não senti coisas boas observando aquilo, ao longe.
Decidi que iria atrás do que aquela visão tentava me mostrar, me acomodei em meu canto sagrado e chamei o amado Arcanjo Miguel, o amado Sananda e meu Mentor e parti por um portal em busca de respostas, eu só sentia que algo não estava bem, que algo iria acontecer e iria transformar a minha vida para pior... Fiz uma progressão, uma progressão é como uma regressão de memória, só que na progressão, a mente vai ao futuro, em alguma programação futura que irá acontecer e me surpreendi com o que presenciei e me senti uma traidora de mim mesma, de meus sonhos, de meus propósitos e de meu amor.
Eu havia, no Submundo, em viagens espirituais por lá, contratado com este homem egípcio, um casamento por rebeldia e atração sexual por ele. Me vi no futuro fazendo esta viagem com uma amiga e encontrando ele nas areias do deserto. Vi – me relacionar – me fisicamente com ele e colocar uma venda ilusória para crer que ele era meu grande amor... Mas os olhos dele me contavam da farsa, da mentira que nós dois havíamos inventado para ficar juntos... E nos olhos dele eu reconheci meu medo, o medo de ter em minha vida um homem possessivo, psicótico, doente emocionalmente e espiritualmente, que me privaria de ser eu mesma, de viver, de respirar... E ali, naquela progressão, naquela visita ao futuro eu entendi o porquê de meu medo, o porquê de eu ter medo de ter uma vida limitada e doentia ao lado de um ser masculino. Ele era este homem desequilibrado, seus olhos possessivos eram os mesmos que rodeavam e velavam meu sono, que me esperavam quando eu saía do corpo e me cobrava servidão.
Ele tentou me subjugar e cobrar a promessa feita no Submundo, mas eu não cedi, senti medo da energia desequilibrada dele e de sua fúria, mas eu tinha Anjos ao meu redor, eu estava protegida e havia me curado do medo da solidão, do medo de ficar sozinha e não mais precisava aceitar qualquer ser que me desse algo em troca de minha carência.
Entendi ali que eu estava sabotando meu casamento futuro com meu grande amor, com o homem do Contrato Original. Eu havia comprometido minha relação com meu amor de alma e seria impossível ele se aproximar de mim com aquele homem doente e possessivo...
Presenciei ali a atitude de tantas mulheres que se vendem, como eu, por carência, por ignorância, por rebeldia de enfrentar um tempo sozinha... Que se jogam em braços de homens que não as amam e escravizam, de homens que são doentes e as agridem, as usam, as deixam de lado, mas cobram submissão ao relacionamento, de homens que traem e que não permitem que ambas vivam, de relacionamentos mornos por medo de solidão...
Pensei no caos que aquilo estava trazendo para minha vida e me compadeci de mim mesma, pois havia contratado aquele contrato em um momento de desequilíbrio, de descrença em mim mesma e na minha força de enfrentar as coisas sozinha por um tempo. Pensei no meu amor de alma e fechei meus olhos, vi o sorriso dele estampado no rosto, seus olhos brilhando quando me veem e na nossa casa segura e feliz e minha força interna aumentou para revogar aquela programação deturpada.
Entreguei a aliança que eu já havia removido do dedo, uma aliança espiritual e estendi para que ele pegasse, ele deu um tapa agressivo em minha mão e a jogou no chão...
Conectei minha mente ao meu Protetor Espiritual e pedi que me orientasse, pois eu não queria ferir ele, eu queria era nos salvar daquele abismo sangrento, onde poderia ocorrer mortes físicas. Tentei explicar que seria para o bem dele também, pois isto o livraria de ataques que poderiam coloca – lo em situações perigosas, mas ele não aceitou. Tentou me controlar através da energia sexual de nossas relações no plano espiritual, que ainda estava no meu campo de energia, em meus corpos sutis, mas conectei – me com a amada Mãe terra e removi aquela corrente sabotadora com a qual ele tentava me controlar.
Pensei nas inúmeras mulheres, e homens também, que carregam nos corpos a energia sexual de antigos parceiros e nem sabem disto, nem imaginam o mal que lhes acomete e a manipulação que ainda são detentores...
Me senti limpa e com este estado de consciência fiz com que a aliança jogada no chão fosse desmaterializada e removida para algum local que sua energia pudesse ser útil ao bem de alguém...
Enfrentei os olhos dele e disse não outra vez, o proibi de entrar em meu quarto, de me tocar, de me amedrontar e interferir no meu relacionamento com o amor da minha alma. O proibi de me procurar outra vez, pois ele não aceitava de forma alguma o término e tentava me controlar. Usei de uma firmeza firme, porém delicada, mas não cedi em momento algum, eu entendia a gravidade daquela situação, daquele futuro para ambos e não poderia pensar somente em mim, mas na integridade daquele homem também, pois estávamos entrelaçados naquele acordo e ambos éramos responsáveis por assegurar que as coisas seriam para o bem de todos.
Na minha mente vinham cenas de relacionamentos de amigas que se entregavam cegas em mãos de homens que não as amavam, que não as valorizavam ou que acreditavam gostar e com o tempo, tudo se acabava... Vi os contratos delas ali, na minha frente e de milhares de homens e mulheres que não imagino quem sejam... Vi a teimosia e o medo dominando suas vidas, seu futuro e vi as escolhas mal fadadas por medo de solidão e carência afetiva...
Respirei profundamente e me senti grata, pois ele tentou me tocar para agredir e não conseguiu, eu estava em outra vibração de consciência e havia me libertado. Pedi que ele esquecesse que um dia contratamos aquilo tudo e pedi perdão por ser ignorante e me vender daquela forma...
Voltei com minha consciência tranquila e segura para meu quarto, para minha casa, para a segurança das minhas escolhas amadurecidas. Voltei em paz e senti que dali em diante poderia dormir em paz, pois não mais sairia do corpo e teria de cumprir algo que não me fazia bem...
Sorri, pois eu havia tido humildade para aceitar que havia feito aquele pacto e ser levada para desfazer, antes que ele se concretizasse aqui na terra e colocasse a perder minha real programação de ser feliz nos braços do homem que escolhi e que me escolheu para dividir nossos dias, sob companheirismo e felicidade suave e livre...
Senti quando meu Anjo entrou no quarto e removeu de meus olhos uma venda ilusória feita de uma energia grosseira, mas camuflada, que me fazia crer que aquele homem era meu amor, meu amigo, meu companheiro. Uma venda premeditada por ele, por mim, pelos guardiões do Submundo, para que eu não visse quem ele realmente era, para que acreditasse que ele era equilibrado, bom, paciencioso e um ótimo ser para conviver pelo resto de meus dias. Entendi como minha carência desequilibrada havia permitido que eles me enganassem daquela forma, usando meus medos, imprudência e pressa de ter alguém, para me fazer crer que a vida ao lado dele seria de amor e paz...
E mais uma vez não pude deixar de pensar nas pessoas que usam esta venda sem saber, permitindo, com suas carências e pressa de estar com alguém, de casar, constituir família, uma relação, que seres obscuros usem – nas a seu bel prazer e escolham seres medonhos para inserir na vida delas, fazendo crer que será um mar de rosas...
O que aprendi ali é que a pressa é uma inimiga que venda, que obscurece a razão e a intuição. A pressa é uma decisão, uma atitude que coloca em risco o futuro, as programações verdadeiras e depois... Bem, depois é choro e ranger de dentes nos braços de pessoas que não estavam programadas para fazer parte iluminada em nossas vidas e que por teimosia, rebeldia, pressa, buscamos e contratamos para sanar nossa carência absurda e voraz... Pagamos por companhia no Submundo e depois choramos desesperadas sem entender porque atraímos estes seres, porque casamos com eles, porque enfrentamos relacionamentos que não nos preenchem...
Seja grata ou grato, pela solidão que você enfrenta agora, foi por estar só e firme de querer vencer e ser dona de minha programação original que eu descobri esta mentira que me sabotaria, me desviando do que programei com os Mestres do Criador.
A solidão é o melhor presente que uma alma pode vivenciar, pois a solidão, a introspecção nos faz dar atenção a nós mesmos, não nos deixa fugir de nós mesmos e nos ensina que precisamos serenar na solidão para atrair uma relação verdadeira e calma. Nos ensina que no relacionar – se bem conosco mesmas, atraímos uma relação saudável e benéfica.
É na solidão que você aprende a se valorizar, escutar, entender, dar – se o carinho e atenção que gostaria de receber de um parceiro ou parceira... Quando você aprende a ficar consigo mesmo, aqueles que não devem fazer parte de sua vida, o que te poupa anos ou uma vida inteira de aborrecimentos e lágrimas, são removidos de sua vida até mesmo, antes de te encontrar. Quando você aceita ficar um pouco sozinho com você mesmo e usa isto de forma equilibrada e útil, você aprende a se defender, sabe quem é e o que quer e nenhuma relação ou pessoa vai te desviar deste foco, você se torna um guerreiro equilibrado, você defende sua integridade, defende seus sonhos...
Quando você usa a solidão de forma correta, ela faz o que veio fazer em sua vida e vai embora, porque você aprendeu o que tinha de aprender e ela não precisa mais ficar, pois este espaço será preenchido pela companhia que sua alma sempre desejou.
Gratidão.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Como surgiu o Curso Contratos Sagrados, Paula?



Desfazendo Contratos Deturpados.


(E eu precisei aprender a descer ao Submundo (e aceitar que havia algo estranho que mantinha aqueles ciclos viciosos) e desfazer aqueles casamentos, aquelas mortes precoces, as crenças sobre merecer aquelas doenças e... Resgatar meu poder interno de comandar minha mente e minha vida quando reencontrava estas pessoas e atraía estas situações repetitivas. Eu entendi que ali, haviam contratos inconscientes para adoecer, ser servil, ser morta, acatar relacionamentos amorosos que não mais faziam parte de minha programação, para defender minha integridade, minha programação, meu Contrato Original e meu grande Amor e nossa vida juntos... Pois sempre depois das tempestades nos reencontravamos e eu não mais queria reencontrar ele no final, mas no começo das minhas vidas sucessivas.).




Regressão do mês de setembro de 2013.

Sintomas: pele escamando, com coloração amarelada, sinto – me doente, vejo cena fixa de uma menina em um banheiro, com uma doença grave, caí no chão do hotel em Ametista do Sul e machuquei muito o cóccix.

...Vejo – me com um rapaz, temos uma afinidade muito grande e acreditamos que somos o amor um do outro, nossas famílias se gostam muito e fazem questão de nosso relacionamento. Estamos noivos e passamos a maior parte do nosso tempo juntos, conversando, namorando e nas terras de minha família, minha família tem muito dinheiro, assim como a dele. (Este noivo é meu melhor amigo nesta vida como Paula).

Namoramos desde muito jovens, devo ter agora uns 15 anos. Meus pais tem uma casa de dois pisos em um local retirado e amo muito aquele local, Logo adiante, alguns poucos quilômetros, do outro lado da estrada, os pais dele possuem uma casa de descanso também.

Gostamos de conversar e estar juntos e tivemos uma única relação sexual.

...Ele morreu e meu mundo ruiu, junto com esta perda iniciaram sintomas de desmaio, depressão e quedas frequentes, onde eu me machucava muito. Fui a médicos e especialistas e meus pais me acompanham.

...Alguns anos se passaram e minha luta é frequente, pois tenho lutado incansável contra uma leucemia. O tratamento quimioterápico é forte e deixa – me muito abalada. São anos de sessões, expectativas e dedicação e já não aguento mais... Minha pele está agredida, meu cabelo não existe mais, sou muito magra e uso um leno delicado ao redor da cabeça. Sou uma moça bela, com grandes olhos, pele muito clara e alta. Junto comigo eternamente uma senhora que cuida – me, mima – me e segue – me em função do meu tratamento e vigia – me devido aos desmaios frequentes. Sinto muita falta de meu noivo e nunca mais desejei voltar a casa de campo que visitava - mos e passava – mos nossos dias.

Como Paula, durante esta sessão de regressão, posso ver meu noivo obsediando – me incansável. Alimento a culpa por ter perdido ele, por não ter morrido também.

Estou avisando meus pais que não vou continuar com o tratamento quimioterápico e que desejo viver longe do meu país de origem, não aguento as lembranças e isto faz com que eu adoeça ainda mais. Estou dizendo que irei para Paris, pois temos uma casa lá.

Meus pais concordam, pois são maravilhosos e querem meu bem. Criaram – me independente e sabem que não conseguirão fazer com que eu mude de ideia.

Junto comigo irá minha protetora, a senhora que cuida – me desde criança.(Nesta vida atual ela é minha amada amiga).

...Estou morando em Paris, sigo minha vida, cultivo pacientemente minha tristeza interna e não tenho noção do que isto causa em minha doença física. Saio sozinha e tenho uma vida normal, meus cabelos crescem e estão curtos. Estou mais disposta sem o tratamento.

Fui a algum local e estou voltando para casa, sinto – me mal e desmaio. Acordo em um hospital em Paris. Um jovem médico examina – me e faz o atendimento necessário. Digo – lhe que tenho câncer e é por isso que passei mal.

Ele faz todos os exames necessários e cuida – me durante o período em que estou ali. Minha protetora quer avisar minha família, mas peço – lhe um tempo, se não ficar boa, poderá chama – los.

...O jovem médico me convenceu a buscar por um transplante e mudar o rumo de meu tratamento, descrente concordo, pois sinto que ele me faz bem e me trás esperança com seu modo ético, amoroso e vívido de relacionar – se comigo, como paciente.

Meses se passam, nos tornamos amigos, confidentes, saímos juntos, rimos juntos e adoramos a companhia um do outro. Conheci sua família, pais amorosos, gentis e despidos de preconceito, eles seguem uma linha reencarnacionista e dizem que o poder do pensamento tem muito a ver com os males físicos. Me apaixono pelo que dizem, pelo que professam e vou ao local de orações que frequentam, tipo uma casa espírita, muito organizada.

Inicio um processo intenso de mudança de frequência, pensamento e dedicação a minha cura, começo a acreditar que sou merecedora de me curar e seguir com uma vida saudável, feliz e consciente de que outro lado de toda aquela situação existe.

Não ficamos mais um dia longe um do outro, somos amigos, mas acima de tudo, existe uma confiança e carinho entre nós que nunca vivemos com ninguém.

Estamos em uma praça, posso ver a torre Heifel as minhas costas, estamos passeando e rindo...Conversando muito...

Ele se aproxima, delicado, olhos nos meus olhos e eu deixo que me beije, pois quero retribuir. Meu coração se enche de emoção, pois é um toque tão querido, tão amoroso e delicado, que nos perdemos por uma fração de segundos que durou aquele toque. Nós nos amamos...

...Dedico – me em tempo integral a estudar os aspectos energéticos e mentais de meu comportamento que causa a doença que tenho e a vida que levei depois de perder meu noivo. Sou integrante no auxílio aos espíritos que não possuem mais um corpo e dedico – me a ajudar aqueles que precisam de mim. Não tenho faculdades mediúnicas fortes, mas uma vontade enorme de ser útil e amar o que vier a fazer dali pra frente, e o que quero morrer fazendo é lidar com aquele novo mundo que conheci através daquele jovem médico dedicado.

A família dele me chamou para uma conversa, sua mãe, seu pai e ele, ele é filho único e preparam – me para saber que sou obsediada pelo meu noivo. Eu aceito, pois sinto que posso confiar nisto que me dizem. Inicio um processo de libertar – me da influência dele. Sinto que devo me retirar definitivamente da vitimização de te – lo perdido e de achar que não foi justa sua morte.

Ao longo do tempo, e do amor que sinto por este médico, consigo ver que nunca fora amor o que senti pelo noivo e sim uma amizade muito grande. Consigo um doador e passo pelo processo de cura.

...Estou curada, posso ter uma vida normal e isto me deixou imensamente feliz e grata a mim mesma, pois entendo que eu sou responsável pelo meu processo de cura, em conjunto com as energias universais que me ajudam.

Estou tendo uma conversação com meu ex - noivo, não o vejo, mas senti que preciso me despedir dele e deixar claro que o que sentia - mos um pelo outro não era amor verdadeiro, pois um amor verdadeiro nunca acaba, mesmo com a morte do corpo físico. Comparando com a relação com  Marcos, jamais poderia ter sido amor. Sinto que está reticente, o sinto, mas não posso ceder e mesmo que quisesse não conseguiria, minha vibração não mais deixa – o me obsediar. Achei correto conversar com ele antes de eu me permitir partir e viver a minha vida.

...Muitos anos se passaram, eu e meu amor vivemos um para o outro, para o estudo e auxílio da espiritualidade. Dedico – me muito naquele local de auxílio e sinto – me uma mulher muito feliz. Não lembro de em algum momento termos brigado, nossa vida é amizade, companheirismo e dedicação, nunca perdendo nossa privacidade individual.

O que sinto ao lado daquele homem me emociona ainda hoje, me sinto livre, independente, realizada, amada, respeitada e consigo passar tudo isto a ele.

...Estou velha, não tivemos filhos, eles simplesmente não vieram e isto nunca nos incomodou... Eramos felizes e tínhamos um trabalho espiritual, os filhos viriam quando fosse o momento.

Meu amor partiu antes de mim e eu segui a vida trabalhando, estudando e sendo feliz...

...Estou em uma poltrona, na nossa casa, em Paris... acho que morri, sem dor, sem sentir...




Regressão do dia 22 de novembro de 2013.



Sintomas: Cansaço, vontade de chorar, identifiquei chips instalados de forma grave em meu rosto, cabeça e garganta, sensação estranha de estar prendendo UMA AMIGA ÍNTIMA, de forma a não deixa – la crescer, identifiquei conversações mentais em relação a ela como se eu estivesse me vingando.



...Sou uma moça muito jovem, meu nome é Hellen Dubbois. Sou branca, tenho cabelos longos e claros. Moro em um local retirado, como uma casa de campo, muito linda, luxuosa e com enormes extensões de terra. Tudo ali é lindo e bem cuidado, o gramado me encanta pelo seu verde e limpeza. Há um balanço em uma árvore à beira do precipício, gosto de balançar ali, há um jovem rapaz que embala – me e cuida para que eu não caia. Nos damos muito bem, ele é meu irmão e nesta vida como Paula ele é meu irmão outra vez (Júlio).

Temos casa na cidade, mas em minhas condições ele achou melhor eu viver ali, longe dos olhares e comentários. Há uma senhora jovem muito amorosa conosco, ela nos cuida desde crianças e é a mãe que não tivemos. Nosso pai antes de partir a deixou responsável por nós e ela é amada por nós dois. Ela é minha amiga atual Rosemari.

Vivemos ali em paz, temos recursos financeiros e somos de boa índole, nada financeiro nos preocupa.

Gosto de andar pelo gramado extenso em frente a casa grande, gosto do bosque e de sentar por ali, no chão, aceitando os raios do sol. Algumas vezes meu irmão senta ali comigo, não conversamos muito, mas nos damos bem.

Estou no gramado, quase sempre há um sol lindo e a brisa suave. Estou tendo uma crise. As tenho com frequência espaçada, mas quando acontecem fico semanas de cama e muitos dias dormindo. Meus músculos se retorcem e caio ao chão, sinto espasmos e meu corpo se arrasta pelo chão, é como se eu saí - se fora de mim quando isto ocorre e não tivesse o poder de dominar meu corpo e minha mente, muito menos minha vontade. Meu irmão me ajuda, é difícil controlar – me nestas crises e ganho uma força fora da que possuo como Hellen.

(Como Paula posso presenciar um espírito de homem agredindo aquela mulher. Ele a domina e a pega pelos cabelos e a arrasta pelo gramado. Um laço está em sua mão e dele saem ganchos que a prendem no rosto, cabeça, garganta e órgãos genitais. Identifico este espírito como minha amiga íntima, a qual senti que eu prendia).

Ninguém consegue presenciar estes ataques e acreditam que fazem parte da doença nervosa que a ataca e faz com que seu corpo fique retorcido e dolorido.

Há muitos anos aquilo acontece e ando lentamente, pois a atrofia muscular inibe muito de minha movimentação natural. Desde que sinto tudo aquilo, não reclamo, procuro levar uma vida tranquila, ser uma pessoa fácil de lidar e de boa vontade, pois sei que sofrem comigo com tudo o que acontece. Aceito bem aquela limitação, não a entendo, mas não revolto – me...

Estou acordando... Há um médico jovem no meu quarto, ele é chamado quando entro em crise, para cuidar meus batimentos cardíacos, pois fico dias dormindo e para controlar a situação física que está acontecendo. Ele é da confiança de meu irmão. (meu ex marido nesta vida atual).

Estou acordando, neste meio tempo de “coma”, uso fraldas e acordo muito cansada e lenta. Peço para sair para o sol e deixam.

Estou na frente de casa, de pijama, é um vestidão longo e com babados, branco. Estou segura no para –peito e saboreio o sol. Sem que eu espere vejo a imagem de um enorme homem ao meu lado, furioso e ele tenta me agredir. Assustada tento me defender e uso os braços, mas percebo que ele não consegue me atingir, pois uma luz, um círculo me defende da aproximação dele. Fico muito abalada, pois além de não entender o que vejo, a raiva que aquele ser demonstra contra eu é enorme e pavorosa. Acho que desmaiei...

...Estou no meu quarto deitada... Vejo – me elevar – me acima do corpo que está na cama e fico presa por um fio... Flutuo... Estou calma... Apenas observo o que acontece.

...Acordei e vejo meu irmão e o médico sentados em poltronas, dormindo em meu quarto. Estou muito bem disposta, sorridente, empolgada, consigo me mover com mais rapidez...

Conto o que aconteceu, falo com alegria sobre o que estou sentindo, como se eu acordasse de um sonho ruim e agora estivesse livre.

...Estamos na sala, estão todos ali ouvindo – me, não falam nada, escutam e observam meus movimentos faceiros na sala. Sento no sofá para continuar meu relato, mas algo acontece e sinto – me ser erguida do sofá e ser arrastada por cima da guarda e jogada no chão com estrondo.

Todos levantam – se assustados, pois aquilo é algo inusitado e estranho, estão assustados com minha queda. Uma força maior do que eu me arrasta até a sacada dos fundos, anexa na sala, enquanto todos tentam me socorrer. Ouço meu irmão falar que aquilo é impossível de ser uma crise.

Tentam segurar – me, mas ao ficar em pé tenho uma força descomunal e os empurro para longe. Sorrio irônica e matreira e me aproximo de cada um dos homens...

(Eu Paula posso ver uma mulher dominar aquele corpo físico de Hellen.) Ela é sensual, maldosa e usa roupas agressivas.

Meu espírito está no chão desnorteado e fraco, fui arremessada para fora do meu corpo para que ela o domine. Uma luz muito linda incide naquele lugar e automaticamente me arrasto para ela, como que buscando segurança. Braços de homem me envolvem e me amparam enquanto estou jogada no chão. Sinto emoção, pois é Wal, meu amado Wal que está ali. Ele diz que tudo aquilo vai passar e que venci aquela etapa e que tenho merecimento de buscar entendimento consciente, pois venci a etapa sem me queixar, sem revidar. Diz que as ferramentas irão surgir e que eu apenas aprenda.

...Estou acordando em meu quarto, todos dormem e sem fazer barulho saio para o jardim, me sinto bem, estou tranquila, sou alguém tranquilo... Ando pelo jardim e vou até o bosque de pés descalços, preciso respirar, preciso entender algo, conectar – me com algo que não entendo, pois até aquela idade nós não tínhamos nenhuma crença, nenhum dogma ou tipo de fé. Eu só sabia que precisava fazer algo para mudar meu entendimento do que acontecia comigo e o por que de ter presenciado aqueles seres, aquelas saídas do corpo.

Estou voltando para o jardim, meu irmão vem ao meu encontro, preocupado, mas não me reprime, digo que vou sentar na beira do abismo para pensar. Fiquei ali a manhã toda... Sentada, olhando o sol, olhando o horizonte... Sentindo o calor do sol aquecer minha alma como nunca sentira antes. Era diferente, pois agora eu procurava por algo...

Deitei ali na grama com a cabeça voltada para o horizonte... vejo meu espírito sair do corpo e ir ao encontro daquele lindo homem que amparou – me no momento do ataque daquela mulher. Ele me diz que eu siga meu coração, que não há uma estrada exata, mas que eu confie que chegou o momento de libertar – me definitivamente de tudo aquilo. Que eu use meus recursos financeiros para aprender sobre eu mesma, pois outros vão precisar do que eu aprender. Que eu confie, pois seguirei o rumo certo se decidir aprender. Eu confio mais do que tudo nele e sinto a verdade em meu coração, não tenho medo, nem ansiedade, é como se meu caminho estivesse traçado me esperando. Ele leva – me em uma casinha simples e ao entrar vejo dois homens com os quais eu tenho que resgatar aqueles ataques, eles são convidados a aprender comigo, pois tudo vai mudar.

Estou acordando no jardim e vou em direção a casa, sei que estão lá dentro me espionando para minha segurança, eles tem medo que eu vá sozinha no balanço, pois os nervos de minhas mãos e dedos já não seguram com firmeza as coisas.

Comunico que vou em busca da minha cura, do meu conhecimento e que ninguém vai me impedir. Sabem que estou decidida, mas meu irmão pede aquele médico que vá comigo e cuide – me, pois irá ressarci – lo pelo trabalho. O médico recusa pagamento e diz que irá por amizade.

Não me importo, só sei que preciso seguir o mais rápido possível em busca de entendimento do que acontece comigo. Meu irmão nunca sai daquela casa, não se permite voar mais alto...

Estamos na França, em Paris, sou espectadora das mesas girantes e dos fenômenos mediúnicos que ocorrem. Observo tudo com respeito e procuro aprender. Aquele médico me acompanha, mas não faz questão de aprender ou enriquecer – se com aquela ferramenta. Eu amo tudo aquilo, bebo da fonte da alegria por fazer parte daquele mundo e daquele presente.

As crises nunca mais ocorreram e sigo de cidade em cidade, de país em país aprendendo, estudando, observando e fazendo parte daquele mundo espiritual, possessões, doenças manifestas através da subjugação espiritual e as saídas do corpo. O material sobre viagens astrais é escasso e não seja por alguns relatos de pessoas que o fizeram, não há livros que possam nos ajudar.

Continuo saindo do corpo e entrando em contato com aquele ser de luz que amo e respeito e que devota – me amor e paciência.

...Voltei para casa e reencontro minha segunda mãe e meu irmão, estou feliz por ve – los. Comunico que desejo transformar o casarão abandonado e atender com seminários pessoas de todos os lugares, meu irmão concorda e o deixo responsável pelas obras. Desejo que seja restaurado, pois é no alto da colina e é um local rodeado por natureza e paz.

Aviso que não irei acompanhada desta vez, que o médico não precisa mais me acompanhar. Ele retruca e sinto sua mágoa e sua tentativa de comandar – me. Sou firme e direta e lhe falo sobre não querer aprender, já sei que ele é um dos espíritos que foi convidado a libertar – me e aprender e como não tem se esforçado, é hora de nos separarmos e seguir caminhos diferentes. Ele fala de ter aberto mão de tudo e do financeiro para seguir – me e digo – lhe que fez aquilo por vontade própria e escolha íntima, que não culpe – me agora.

Daquele dia em diante nunca mais o vi e continuei seguindo por países e estudando, fiquei alguns anos fora e mandei cartas ao meu irmão com coordenadas do casarão e de como eu o queria.

Estudei com um monge que admirei por toda aquela vida e que se tornou um grande amigo. Me especializei nas artes orientais e segui ministrando a parte espiritual que fazia parte do meu coração e de minha programação na terra.

...Voltei para casa, o casarão em estilo oriental, com suas abas largas como na china, ficou exuberante e lindo, meu irmão fizera um belo trabalho. O dinheiro que ganhava pelo mundo ensinando era revertido para minhas viagens, estudos e a manutenção do local de retiros que eu batizara naquele local. Meu mestre e instrutor veio da china e ficou alguns anos ali, ensinando, vivendo e ajudando, enquanto eu ainda viajava mundo a fora em busca de aprendizado e divulgação do meu trabalho.

Estou no topo das muralhas da China, sinto o vento forte açoitar meu rosto e meus cabelos... Um homem aborda – me e sinto meu coração bater de forma diferente. Ele me diz que sente que já me conhece e sinto sinceridade em suas palavras. Sorrio... Ele pede – me um contato, algo para procurar – me um dia e digo – lhe do espaço para retiros que possuo, se um dia quiser aparecer por lá...

...Muitos anos se passaram, há pessoas trabalhando no retiro comigo, temos hospedagem no casarão e usamos o espaço externo para meditar, cursos, vivencias e exercícios.

O Mestre me informa que precisa partir, pois sua estadia ali acabou. Sinto tristeza, mas o liberto, sei que ele tem uma jornada a cumprir...

Estou trabalhando no casarão, há um retiro de meditação e quebra de contratos, há muitas pessoas deitadas em tapumes, espalhadas pelo chão, fico caminhando ao redor delas, orientando... O retiro acabou, estou no grande saguão de meditação do casarão organizando o restante para que tudo fique em ordem. Ao voltar – me encontro um homem, de uns 40 anos, olhando – me com um sorriso. Eu o reconheço, é o mesmo homem que abordou – me nas muralhas naquele final de tarde a mais de 8 anos atrás ...

Diz que agora podia me procurar, que antes disso precisou amadurecer, ser independente dos pais, pois naquela época era um peregrino que viajava estudando e acabara de posicionar – se na formação acadêmica. Sorrio, sinto que ali começa uma longa história com aquele buscador de conhecimentos. Seus pais morreram e agora ele era sozinho.

...Os anos se passam e trabalhamos juntos, lado a lado no casarão, ele é fisioterapeuta e atua com crianças com deformações e limitações físicas, meu trabalho é espiritualiza – las e orientar sobre contratos deturpados e subjugações espirituais que as fazem manter – se naquela vibração e limitações. Amamos o que fazemos e nem vemos os anos passarem, quando folga meu trabalho dentro do casarão saio para o jardim e orientada por Márcio auxilio no alongamento das crianças que não caminham. Ele fica no grande jardim, envolvido com os grupos de crianças e viajamos muito em busca de aperfeiçoamento. Nossa vida é leve e apesar do amor e parceria que sentimos um pelo outro, isto não nos limita ou atrapalha, pois não dependemos um do outro para nos sentirmos plenos e completos, já o somos por nós mesmos. Nunca houve uma briga ou desentendimento sequer entre ambos. Estou com mais de 40 anos e recordo nosso casamento espiritual, casamos no mesmo lugar que nos conhecemos, no topo da grande muralha, abençoados pelo vento, pelo céu e meu querido Mestre Kohan. Apenas nós dois, ali, em comunhão com nossas crenças, nossas buscas por melhoria interna.

Pessoas de todos os países chegam para tratar – se no casarão, pais trazem seus filhos, pois o trabalho fisioterapêutico do querido marido é muito eficiente. Meu irmão continua ali, sempre disposto a ajudar, sua personalidade é introspectiva e pouco se mistura.

Digo isto a ele, que ele possui um contrato e que deveria mexer nisto e libertar – se, sair daquela casa e voar... Ele gentilmente me diz que não quer fazer isto e digo – lhe que nunca mais tocarei no assunto, a não ser que me peça. Dou – lhe um abraço fraterno e sigo com meu trabalho. Moramos no casarão quando estamos em casa e meu irmão mora na casa grande, a de nossa infância.

...Estou com mais de 50 anos, sinto – me um pouco cansada e há uma tristeza em minha alma, meu marido partiu para o mundo espiritual e sua ausência custa – me muito. Estou indo para a China com suas cinzas em um lindo cálice de prata oriental. Sob as grandes muralhas eu choro a minha saudade e deixo que o vento leve sua lembrança física e se espalhe pelo grande céu acinzentado. Wal está ali comigo e vejo o espírito de Márcio, ele está muito bem e se despede, pois agora iniciamos uma fase separados para nos reencontrar - nos mais adiante.

Sigo a vida trabalhando e não cultivo a tristeza, nem a saudade doentia, sei que é uma fase que preciso vencer e que ainda tenho trabalho a exercer com qualidade sobre a terra. Minha querida mãe partiu também para o mundo dos espíritos e ficaram eu e meu irmão. Ele é mais velho do que eu.

... Estou com mais de 65 anos, vejo meu irmão sentado na varanda da casa grande, pegando sol, ele está bem velhinho, com mais de 70 anos...

Estou trabalhando no jardim e vejo Wal, ele vem me dizer que naquela tarde eu vou partir para o mundo dos espíritos...

Estou indo em direção ao meu irmão, sentado na varanda, quero me despedir dele, pois nada posso fazer contra aquele desígnio e terei de deixa – lo. Sinto vontade de chorar, mas não é de tristeza ou revolta, estou muito tranquila, só o que me preocupa é ter de deixar meu irmão já velhinho e sozinho, pois ele não constituiu família e nem eu tive filhos. O beijo e abraço sem nada dizer e sigo para o casarão, ali, deito – me em um tapume e sigo em silêncio em minha mente, aguardando o momento da despedida do corpo físico. Agradeço por tudo que tive, pelas oportunidades e seres que fizeram parte de minha trajetória. Sou muito grata por aquela linda vida que vivi... Sinto um aperto no peito, muito forte que faz com que meu corpo arque e saio do corpo, vendo Wal aproximar – se com meu querido marido ao seu lado. Nos abraçamos e logo vejo meu irmão chegar em espírito. Fico surpresa, mas ao mesmo tempo muito feliz, pois ele partiu também junto comigo. Seguimos calmos para o jardim, em direção a um lindo portal d e luz que se abre no abismo, onde eu sempre sentava e adentramos...

Chegamos em um local espiritual, de serenidade e calmaria, ali, nos abraçamos mais uma vez, agradecemos por fazer parte da vida um do outro e seguimos rumos diferentes, pois outras fases evolutivas nos aguardam. Todos estamos bem...



Regressão de outubro de 2013.



Sintomas: descobri que um paciente que procurou – me para tratamento seu e dos familiares é alguém que já encontrei em outras vidas, trocamos um olhar onde ele inconscientemente fez questão de me lembrar isto e fiquei preocupada, pois sinto que não é uma boa ligação.

Descobri que estava ainda casada com ele nesta atual vida em que nos encontrávamos na espiritualidade inferior e que ele é um grande chefe do plano inferior.



Regressão: Vejo – me trancada em um pequeno cômodo com uma criança, um menino de um ano mais ou menos. Estou apavorada e escuto pancadas na porta que tranquei por dentro. Meu marido está do outro lado esmurrando a porta, furioso comigo. Não aguento mais apanhar, ser tratada como um animal acuado e seguir ordens cruéis e bitoladas. Estou com fome também.

Há uma pequena janela mais acima e coloco o menino e logo em seguida escalo e também saio para o lado de fora. Estamos no telhado, posso ver as casas dos vizinhos, choveu, está escorregadio. Pego a criança no colo e com cuidado fujo pelos fundos, posso ver – me correndo desesperada por uma estradinha alagada da chuva e vejo a grama tocar meus pés. Estamos de pijama e calço um chinelinho que acompanha a roupa. Corro, mas corro tanto e com tanta garra que logo consigo alcançar a cidadezinha onde moramos, mais interiorana. É algum local nos estados unidos.

Ninguém ali me conhece, chegamos a esta cidade a alguns meses e ele não me deixa sair de casa, permaneço eternamente trancada em nome de seu ciúme doentio e de suas manias psicóticas.

Identifico neste homem o espírito de meu paciente.

O menino que está em meu colo é meu atual filho.

Estou olhando para todos os lados, estou apavorada, molhada e de olhos arregalados, pois a qualquer momento ele pode me alcançar. Nunca fugi e sei que se ele me pegar o castigo será terrível. Há um hotelzinho simples ao lado e penso em entrar, mas não posso contar o que ocorre e muito menos ficar exposta usando pijama. Me escondo atrás de um grande carvalho que há por ali e aguardo carros antigos passarem, temendo que um deles seja de meu marido. Algumas pessoas passam e olham – me curiosas, mas evito olhar diretamente para elas.

O fim da tarde inicia e meu medo é ficar ao relento com meu filho, ele começa a queixar – se de fome e desconforto e eu me sinto desesperada.

A solução é sair da praça e ir para algum local mais retirado, assim posso ficar escondida até saber o que fazer.

Sigo automaticamente por uma estradinha longa que me leva para fora da praça e da cidadezinha rústica e sinto muito cansaço com tudo que está ocorrendo. Há semanas ele entrou em crises mais violentas e me tortura emocionalmente e mentalmente sem tréguas. Limita a alimentação de meu filho e a minha e quando está mais irritado me bate. Ele é um homem muito alto e forte e sinto – me minúscula para me defender fisicamente.

Caminho, caminho e meus nervos estão em frangalhos, pois o peso da criança e a fome me castigam. Ainda garoa e o chão está com muita água. Estou em um campo limpo, apenas uma ou outra árvore, sinto vontade de sentar sob uma árvore, mas a noite vai chegar e não posso ficar ao relento com aquela criança.

É noite, cheguei a uma fazenda, ali as fazendas são muito comuns, pois é um estado interiorano de plantações de milho, arroz e outras coisas. Meu marido é um advogado e está ali para cuidar dos interesses burocráticos dos fazendeiros. É um homem conhecido, poderoso e respeitado por sua sagacidade advocatícia.

Estou em um celeiro aberto nas duas extremidades, meu filho quase é solto por minhas mãos, pois não aguento mais... está escuro e meus olhos desesperados e cansados só focam um cantinho escuro com feno onde posso repousar. Meu peito está oprimido e não sei o que vai ser de mim e da criança depois daquela atitude desesperada que tomei. Não tenho nada, sou de família humilde que já partiu a muitos anos para o plano espiritual. Sou sozinha, jovem demais e meu marido bem mais velho do que eu.

Sinto uma paz acalentar meu peito quando vejo aquele cantinho seguro e enquanto me dirijo a ele um homem muito alto entra no celeiro e flagra – me. Me sinto petrificada e descoberta...

Ele olha – me sem fazer alarde e questiona quem sou e o que faço ali...

Se eu der um passo em falso serei entregue ao meu marido, aquela década é regida pelo poder masculino e esposas tem pouco querer.

Digo que me chamo Sílvia... E não consigo dizer mais nada. Ele automaticamente segue o ruído de meu filho no cantinho escuro. Fico congelada e em pânico que ele faça algo e nos escurrace.

Ele se aproxima, tem uma ferramenta em mãos, como um garfo de feno, olha – me nos olhos entre a penumbra do local e deixa de lado a ferramenta.

Diz que vamos até a casa grande. Obedeço, pois pior do que está só sendo entregue ao meu marido e por enquanto ninguém sabe da minha história. Eu choro quieta, mas me mantenho firme, ele pega meu filho no colo e nos leva para uma casa em madeira, muito grande, com varanda e porta de tela para afastar os insetos do campo. Há luz acesa... Sigo atrás dele, silenciosa e com medo.

Ele entra e chama a mãe dele, logo uma senhora de idade, muito bonita e jovial aparece e se surpreende com nossa presença. Ele diz que nos encontrou no celeiro e ela trata de aproximar – se e ser solícita.

Coloca – me sentada no sofá e ele leva meu filho para a cozinha, ainda no colo, não os perco de vista. Estou um trapo humano e torturada pelo medo e impotência que sinto diante de ter sido descoberta. Vejo de relance ele organizando coisas e potes e meu filho semi acordado com a cabecinha no ombro do homem gigante.

A senhora diz que se chama Eleonor e tenta me acalmar, pois choro em silêncio. Diz que vai ficar tudo bem e que nada vai nos acontecer. Quando ela me diz isto, a única coisa que consigo pedir entre lágrimas é que ninguém pode saber que estou ali com meu filho. Ele vem da cozinha e me olha e os dois concordam.

Oferecem – me banho, roupas limpas enquanto cuidam meu filho. Quando volto ainda desconfiada encontro os dois com meu filho, como se fossem velhos conhecidos.

Estão mais a vontade e vejo – o sorrir, procuro não olhar nos olhos dele, pois meu marido me ensinou a não olhar em seus olhos como uma atitude de respeito.

Servem – nos alimentação na mesa da aconchegante cozinha e posso ver que ele se vira muito bem entre os cuidados para conosco. O tempo todo a senhora trata de ser gentil e me acalmar. Dou o que comer ao meu filho e trato de juntar todos os grãos que ele derruba, pois é inadmissível deixar migalhas espalhadas. Meu marido é muito metódico e nos corrige brutalmente se não nos comportamos com minucioso comportamento em frente a mesa e alimentos.

Ele prepara um sanduiche para mim e procuro enrolar em um guardanapo para viagem, pois sei que vai ser difícil alimento pelo caminho. Ele me tranquiliza e diz que há mais comida, que posso comer sem receio. Estou faminta, mas pouco a vontade ali.

Deram – nos um quarto com uma cama de casal, confortável e nos deixam dormir na casa. Deito e acabo adormecendo profundamente, pois estou exausta, assim como meu filho. VEJO QUE O HOMEM GRANDE E A MÃE SÃO MUITO UNIDOS.

Reconheço no espírito desta senhora a minha amiga desta vida atual.

Amanhece... Estou organizando tudo que usei e deixando tudo no lugar, mas ouço batidas na porta e a voz de meu marido. Entro em pânico e não posso fugir, pois na janela do quarto térreo há uma grade. Ouço alguém abrir a porta que range devido a porta de tela e ouço o dono da casa cumprimentar meu marido.

Nada mais vem em minha mente do que o desejo de esconder – me, fugir, nunca mais ser tocada por aquele homem.

Pego meu filho e escondo – me ao lado do guarda roupas, onde há tábua de passar e outras coisas entulhadas e me mantenho em silêncio desesperado. Não sei quanto tempo se passa, mas ouço baterem na porta do quarto e procuro nem ao menos respirar de medo. Meu filho ainda dorme em meus braços.

Logo a senhora entra e em segundos adentra seu filho, sua voz forte questiona onde estou e como sai do quarto e isto acorda o menino que resmunga. Logo ele me descobre escondida e em pânico.

Acalmam – me e ele pega o menino, explicam – me que temos um acordo e que ninguém vai saber que estamos ali até que eu queira isto.

Nos dão alimento e carinho e meu filho adora aquelas pessoas de coração gentio e humano.

Ele fala de meu marido na minha frente e se eu olhasse nos olhos das pessoas sem ter assumido aquela servidão e submissão a qual fui obrigada pelo marido, eu teria visto que ele estava me testando e a minha reação. Petrifico na hora em que ouço a menção daquele que me escravizava e torturava todos os dias, que me fazia passar fome e humilhações entre quatro paredes.

Os dias passam e permaneço ali, procuro ajudar na casa e a senhora pergunta – me se não desejo voltar com ela para a cidade, pois possuem uma outra fazenda no centro do estado e lá talvez eu me sinta melhor. Meu coração bate acelerado, é uma oportunidade de fugir daquela vida e criar meu filho sem que seja um escravo das torturas do pai.

Parece que o filho concorda com a mãe e permite que eu vá junto, prometo que ajudarei em tudo que for preciso e que vou trabalhar para pagar minha estadia.

Aquele homem é muito gentio, seu sorriso é claro, franco e sensível.

...Estamos na cidade, na outra fazenda, muito longe de onde eu fugi... Ali procuro fazer tudo que posso, ajudar muito para pagar tanto carinho e respeito daquelas duas pessoas. Meu filho anda com ele por onde vai e me sinto tranquila, mas meus olhos estão sempre na porteira, preparados para a qualquer momento avistar o carro do ex marido, pegar meu filho e me esconder. Não tenho paz, mas sou mais feliz ali e naquela vida.

Eleonor me trata como uma filha e ama meu filho, nos damos muito bem. Ela me contou que perdeu o marido e que Marcos, seu único filho assumiu todos os bens e fazendas do pai e que isto exige muito dele.

...Estou no pátio juntando feno, gosto de fazer de tudo e nunca me pediram algo ali, mas insisto em voltar minha cabeça e olhar para o grande portão da estrada...

-Eu o demiti... Ele nunca virá aqui, procurei uma boa desculpa e dispensei seus trabalhos de advocacia.

Olho pela primeira vez nos olhos daquele homem e sinto uma vontade enorme de chorar, pois pela segunda vez ele me salvara e ao meu filho. Ele se aproxima, segura meu queixo e me beija. Um beijo tão suave e delicado que faz com que todo meu corpo e minha alma respondam com amor e entrega. É como se eu voltasse a beijar alguém do qual eu nunca me separara, como se aquele toque viesse curar minha solidão e preencher um vazio que era por falta deste homem que naquele fim de tarde me tocava... Como se eu sempre houvesse sido dele e esperado pacientemente por ele... E todos meus passos me levavam até ali, aos seus braços fortes e os mais delicados e respeitosos que eu conheci...

Depois daquele dia nunca mais nos separamos, vivemos uma parceria e um amor sem cobranças, apenas nos bastava estar juntos e seguir nosso coração... Amei e amo perdidamente este espírito gentio e humano que me faz querer liberdade e conhecimento, por que sei que quanto mais me conhecer, mais feliz serei ao seu lado.

Trabalhamos lado a lado e seus incentivos me mostraram uma mulher que jamais supuzera que eu fosse. Meu filho cresceu sob seus cuidados de pai amoroso e paciencioso e ali, naquela linda fazenda nos amamos, crescemos, amadurecemos e tornamos reais todos os sonhos que nossas almas tinham.

Estudei muito, me dediquei a minha sogra, meu marido, meu filho e a mim mesma e me tornei uma ajudante de mulheres que passaram pelo mesmo que eu. O reconhecimento veio e fui chamada a vários estados para ministrar palestras e isto se tornou minha vida. Ajudar mulheres a serem mulheres e assumirem seu poder interno e dependerem de si mesmas e acreditarem que o real amor era possível, pois quando aprendessem a valorizar o autorrespeito e o auto amor, automaticamente o amor externo viria.

...E chegou o dia em que minha maturidade me deixou enfrentar meus fantasmas e eu fui convidada a voltar a antiga cidade que vivi sob as torturas daquele que um dia assumiu o papel de marido. Lá enfrentei seu olhar gélido e seu ódio a distancia, pois ele não poderia tocar – me ou ao meu filho, pois a sociedade saberia quem era e o que tinha feito comigo.

Eu já o havia perdoado, mas naquele momento eu aprendia a enfrentar o medo que eu ainda tinha dele e descobri que meu voo não lhe permitia alcançar – me...

O sucesso foi grande e o transformei em um livro, o qual correu o país e auxiliou muitas pessoas.

Entre tudo isto meu marido me acompanhava, minha querida sogra já havia partido para o plano espiritual e meu filho era uma rapaz feito e honesto. Éramos unidos, felizes e tranquilos, sabíamos o valor do nosso relacionamento e nossas prioridades.

Muitos anos se passaram entre muito amor, união, prosperidade e sucesso no meu trabalho como escritora e palestrante.

...Acredito que já estou com quase 60 anos e continuo na estrada palestrando, escrevendo e sendo feliz internamente, pois era merecedora de estar ali, exatamente como planejara para minha vida.

Estamos em um evento grande, posso ouvir burburinho de pessoas que me pedem autógrafos, risadas e meu marido ao meu lado. Estamos saindo de um local de eventos e paro para autografar...

Sinto algo quente em minhas costas e arde... E pela segunda vez... Ouço pessoas gritando, pânico e sinto os olhos de meu amado marido nos meus enquanto minhas pernas fraquejam e eu caio lentamente segura por seus braços.

Eu fui esfaqueada pelas costas e sei exatamente quem o fez...

Lágrimas caem de meus olhos, pois sinto que a hora chegou... Ele tenta estancar o sangue, mas a segunda facada atingiu alguma região muito delicada.

Sinto medo de nunca mais o ver, de nunca mais encontrar este grande amor... E ele parece ler meus pensamentos... E também sente o que vai acontecer...

- Confia em meu amor... (Ele me diz, olhando em meus olhos). - O meu amor sempre encontra uma forma de te reencontrar...

E com o som seguro das palavras do meu grande amor, eu me permiti partir, segura em seus braços, acalentando a paz que aquela promessa incutia em minha alma já saudosa da dele...

Mago Merlyn. (Regressão)






Regressão do dia 14 de junho de 2012

Sintomas: Visão de crianças caindo, barulho de coisas sendo destruídas, sensibilidade no rosto e cabeça / Escuto gritos infantis que não fazem parte do presente...

Sessão de Regressão:


... Vejo – me caindo do topo de uma torre que está sendo destruída. Vejo crianças sendo tragadas por escombros gigantescos e ouço gritos de pavor e pânico...
...É a torre de um castelo... Minha cabeça e rosto foram totalmente esmagados, dilacerados pelos gigantescos escombros... Estão atacando nosso castelo e alcançaram as torres mais altas...
Não consegui salvar as crianças que estavam sob meus cuidados e fui tragada pelas águas que cercavam o castelo.
Posso ver muito sangue misturado ás águas... Um ser segura – me pelo braço e nada comigo pelas profundezas, como se eu não passasse de um fardo muito leve. Uso um vestido de mangas compridas, muito longo, com várias saias por baixo. É feito de um tecido grosso, de época medieval... Parece ser uma sereia que me guia, mas estou muito confusa para entender o que acontece ou o que é aquele ser...
Está emergindo com meu corpo em uma fenda, no meio de uma floresta com muito verde. Pequenos seres acomodam – me na relva macia, embaixo da copa de uma linda árvore.
Fico adormecida por muito tempo, a grama, a terra, as raízes parecem revigorar meu estado, minha forma.... Minha cabeça é estranha, ainda porta resquícios do acidente na torre, mas aos poucos vou recuperando – me, andando por ali guiada por pequeninos seres com forma humana que ajudam – me a melhorar cada vez mais.
O que predomina é a presença das árvores, do verde, da delicada relva e de pequeninas flores e casinhas muito bem organizadas. Caminho pelo pequenino vilarejo, uso um vestido singelo e longo, branco, macio, pés descalços e estou muito tranqüila.
...Um feixe de luz abre – se a minha frente, como um lindo portal e dele sobressai um ser que vem em minha direção.



Eu o conheço, é meu querido Mestre, Mago Merlyn. Sorri feliz por ver – me, envolve meus ombros com seu braço amigável e conduz – me para dentro do portal...



Regressão do dia 15 de junho de 2012
Sintomas: Ansiedade projetada na alimentação, medo de chegar a noite e eu ter de dormir, sensibilidade na arcada dentária esquerda, pensamentos de queimar – me quando lido com fogo.

Sessão de regressão:
... Vejo – me montada em um lindo cavalo, sobre uma estrada de chão batido, em uma planície verdejante. A brisa suave movimenta meus cabelos e meu vestido. É uma época de conflitos medievais, de magia, alquimia e a fogueira da inquisição.
Não sou uma mulher bonita, conservo um formato de cabeça estranho devido aos resquícios de minha morte por esmagamento craniano na vida anterior. Meus cabelos são negros, muito longos e cacheados, mas cresceram somente na metade de trás de minha cabeça, acentuando ainda mais a deformidade óssea de meu crânio. Meu corpo é muito belo, mas não o cultuo.
Observo uma cidadezinha incrustada em um vale, lá embaixo, singela, rodeada de casinhas com cobertura de palhas e o colorido das flores. Nunca desci até lá, mas ao passar por aquela região a energia do local me fez esquecer um pouco da ansiedade e parar para observa – la. Sinto paz ao observa – la ao longe, como se fosse meu lar.
Estou de passagem pelas terras da Escócia, rodeada de magia natural de suas ancestrais e intocadas paisagens. Preciso me apressar, ainda levarei semanas para chegar em casa, em meu país a Inglaterra. Estou a trabalho em nome do querido Mestre Merlyn. Sou sua serva e aprendiz, viajo por terras distantes entregando poções alquímicas e divulgando este trabalho contra as trevas.
É uma época de Magos e bruxas, onde a maioria recorre às oferendas, invocações, rituais e venenos letais para alcançarem seus intentos sinistros. Nós, Mensageiros do Mestre, trabalhamos esclarecendo e levando a cura e equilíbrio através de suas poções mágicas e poderosas, libertando homens de bem e seres açoitados pelas bruxarias de homens e mulheres que nasceram com o dom de usar o poder alquímico para o mal.
...Cavalgo sempre só, portando algumas misturas mágicas que o Mestre solicita de viagens a outras terras. É uma honra servi – lo e estamos sempre sob a proteção do Mestre e de sua força mágica.
...Paro em um vilarejo pobre, de instalações humildes, um jovem cocheiro aguarda minha chegada. Sempre que estou na presença de estranhos procuro usar meu capuz, preso a uma longa capa. O Mestre diz que é mais seguro ocultarmos nossos rostos para não sofrer represálias. Para mim, o uso do capuz tornou – se um hábito, pois carrego o medo de ser descoberta e sofrer as torturas que outros engajados naquela causa já sofreram. Tornou – se muito mais cômodo para mim como mulher usar aquele capuz que esconde minha cabeça e meu rosto, não gosto de minha aparência e não a aceito. Acho – me feia e tenho receio de chamar atenção devido a minha deformidade física.
...Estou acomodada em um cubículo com uma cama humilde, mensageiros do Mestre são bem recebidos pelo povo em todos os lugares.
...Chegou a noite e estou muito cansada, as crises de ansiedade que nunca abandonam – me pioram terrivelmente a noite ao ponto de oprimir dolorosamente meu peito e minha garganta, deixando – me trêmula excessivamente e fazendo – me suar encharcando roupas e cabelos. Estou tirando de uma bolsa de couro um pequeno vidro com uma poção lilás cristalina, como se esta estivesse muito mais em estado gasoso do que liquido. Bebo um pequeno gole e volto a guarda – la como se fosse algo muito precioso. Foi o Mestre quem a preparou para mim, disse que me ajudaria com a ansiedade e com o medo das visões.
Empurrei a bolsa com a poção para baixo da cama e acomodo – me para dormir.
...Vejo cenas de mim mesma caindo de uma torre, gritos de pavor e desespero infantil invadem meus ouvidos... águas revoltas tragam meu corpo...
Vejo – me fora de meu corpo que está sobre a cama... olho para ele assustada e acordo apavorada e banhada em suor, sem nada entender...
Visto – me, mas ainda é noite, tenho recomendações do Mestre para que somente cavalgue durante o dia, pois há muitos ladrões e saqueadores. Aguardo ,tomada pela crise de ansiedade, a qual diminui com a chegada do dia, mas não abandona – me...
Meu cavalo está descansado e posso seguir viagem. Estou chegando a minha terra, uma estradinha muito longa serpenteia até o topo de uma montanha onde está construída nossa cidade e o Castelo do Mago Merlyn. Sinto – me menos ansiosa, pois voltei com vida para casa, sinto – me feliz, pois consegui cumprir meu trabalho e minha missão.
Apeio do meu querido cavalo e amigo e o conduzo calmamente por toda a extensão da estrada que nos conduz para casa. É como se ali fosse nosso porto seguro, nosso objetivo mais valioso depois de todos os perigos humanos e ocultos que enfrentamos ao nos afastar dali.
Os enormes portões do vilarejo abrem – se para que entremos e logo um jovem garoto vem buscar meu cavalo para trata – lo. O povo está por ali, envolvido em seus afazeres rurais, com o feno, com a alimentação. Sigo para além das casinhas do vilarejo, agarrada a minha sacola de couro resistente, onde encontram – se os líquidos engarrafados que o Mestre solicitou.



Uma estradinha coberta de relva serpenteia ao largo, levando – me ao topo de uma montanha, onde um grande castelo de pedras cinza encontra – se erguido. O Mestre vem alegre em minha direção, estende as mãos e segura as minhas. Está contente porque retornei bem.
O Mestre está na meia idade, ninguém conhece sua idade ao certo, mas resplandece luz, vigor, inteligência e felicidade. Suas barbas e cabelos são muito longos. Usa uma túnica lilás escura, com alguns símbolos dourados.
Não pergunta – me pelas encomendas, seu foco é saber como passei na viagem. Pergunta – me das crises e da poção que deu – me para usar. Também sinto – me muito feliz na presença dele, útil, amada, protegida e valorizada. Mostro – lhe feliz as garrafas que trouxe, com líquidos verdes translúcidos enviadas a ele por outros Magos de terras distantes. Leva – as para o topo do castelo onde encontra – se seu laboratório, com prateleiras com poções e um imenso caldeirão onde sempre esta algo a borbulhar.
Adoro aquele lugar, não há enfeites e as únicas cores a vista são provenientes dos frascos de poções, acoplados as paredes. O Mestre pega uma colher de madeira com cabo longo e serve – se de uma pitada da poção que borbulha na caldeira, logo, estende – me uma pitada na colher, para que eu a prove também. Fico espantada e pergunto – lhe como pode ser um líquido frio se estava a ferver. Ele sorri e responde: - Alquimia... o poder da mente.
Ele deixa – me ver tudo que faz, tudo que usa, tão desprendido que seu prazer maior é ensinar.



... Não sei quanto tempo se passou, mas algo está acontecendo. As fumaças coloridas que eram liberadas pela grande chaminé do castelo, provindas da alquimia do caldeirão não estão conseguindo transmutar a enorme massa cinzenta que alastra – se e envolve nossa região. Vejo o Mestre muito sereno, mas sério, leva – me para uma passagem no subsolo e abre uma grande porta de ferro batido que cobre uma passagem subterrânea. Pede que eu me apresse e fuja enquanto há tempo. Estou assustada.

Ele entrega – me um livro dourado com uma fivela de ouro e uma chave.




Pede que eu use as receitas alquímicas, que semeie o conhecimento e que antes de partir da terra que as legue a quem fizer por merecer. Sinto vontade de chorar, mas não posso, a causa sempre fora prioridade acima de nossos medos, apegos, egoísmos e a própria vida. Se o Mestre pedia – me era meu dever obedecer.
Beijo – lhe as mãos com amor e respeito, triste, pois sei que não mais o verei naquela vida. Ele apressa – me, barulhos lá fora indicam invasores...



Obedeço, desço os lances de degraus e corro muito agarrada aquele livro, até encontrar a saída. Na saída a minha espera está o mesmo rapaz que cuida dos cavalos. Ele está com as rédeas de meu cavalo nas mãos e o segura para que eu possa monta – lo, entregando – me as rédeas de outra montaria para que eu as intercale na fuga e ganhe distancia, preservando a integridade física dos animais.



A saída do túnel deu – se no meio do bosque, digo a ele que fuja comigo, mas diz que precisa ficar. Incito os cavalos a partirem e a curta distância olho para trás e o vejo cobrindo a saída da passagem subterrânea com galhos de árvores.
... Estou parada na estrada da colina, observando o vilarejo lá embaixo... Desço cavalgando e pergunto a um morador de meia idade onde poderia ficar. Vejo jovens mulheres carregando cestos de roupas e flores e crianças brincando ao sabor do sol.
Estou na Escócia, no mesmo lugarejo que parara para observar quando em viagem em nome do Mestre... Não deve ter mais do que duzentos habitantes.
... Tenho uma casinha muito retirada, no meio de uma floresta. Ali não há autoridades, são grupos que preferiram viver livres e em paz.
Tudo ali é calmo, sereno, eu, as mulheres e crianças nos damos muito bem, há um clima de amor e respeito recíproco entre todos.
Enquanto os homens provêem os alimentos, nós mulheres cuidamos dos filhos, da casa, dos cultos aos seres Angélicos. Um grupo seleto de mulheres busca – me para ensina – las sobre a alquimia, as adorações aos seres da natureza. Dançamos nuas na floresta em noites de solstício, sem pudor, malícia ou julgamentos. Apenas procurando a liberdade e a união de almas e energias com as forças ocultas da natureza.
Nos entregamos aos rituais com alegria e leveza, como viemos ao mundo, sem malícia, em êxtase espiritual, envoltas pela energia lunar, pelo fogo, pela floresta e pelas flores. As crianças participam das festividades espirituais e adoram tudo aquilo.
Continuo viajando, levando as poções que agora faço para terras distantes e ensino as mulheres que realmente querem aprender, a fazer o mesmo. Poucas delas viajam comigo em aprendizado, mas as que o fazem, fazem por sua própria escolha, respeito e amor, assim como um dia eu optei por aquela vida..
...Sinto cheiro de fumaça vindo do pequeno vilarejo, saio para ver o que está acontecendo e encontro homens nus e com capuzes negros na cabeça cercando minha casa. Não reajo, não há o que fazer...
...Estou nua, amarraram – me a uma árvore com arames farpados, um dos fios com pontas circunda meu rosto e suas pontas passam por dentro de minha boca, enquanto outro arame de pontas pontiagudas estrangula minha garganta. Atrás da árvore há um homem puxando estes arames com toda sua brutalidade, até que dilacerem minha carne e me façam sangrar.
Chamam – me de bruxa e dizem que encontraram – me e que eu terei o mesmo fim que minhas subordinadas tiveram.
... Estão ateando fogo ao meu corpo preso naquela linda árvore centenária... Minha garganta emite sons desesperados de dor, o arame ainda está em minha boca enquanto o fogo dilacera minha pele. É terrivelmente doloroso e assustador morrer daquela forma.
... Meu espírito desprende – se daquele corpo em chamas, um foco de luz abre – se a minha frente e o querido Mestre Merlyn vem ao meu encontro. Cobre – me com uma capa muito bela e eu choro por ter falhado, por não ter tido tempo de ensinar tudo que ele havia me ensinado. Choro pelo livro com receitas alquímicas que perderia – se e pelas amigas que haviam sido mortas brutalmente como eu...
Luzes começam a despontar em feixes de luz individual onde estamos, clareando as árvores da floresta e vejo – as aproximando – se de nós dois, serenas, sorridentes, resplandecentes...
Olho aquelas mulheres com alegria e o Mestre pergunta – me se não dou falta de alguém. É claro que sim, de uma das meninas mais jovem...
O Mestre me diz que ela conseguiu escapar e que levou com ela o livro...
Partimos, todas, daquele lugar...
Estou chegando ao planeta Orustak, vejo seus extensos jardins de plantações de rosas, mas ao invés de entrar na pirâmide como sempre faço quando retorno para aquele lugar, sigo em frente e deparo – me com um lindo abismo iluminado pelos raios solares, entre ele e outro abismo há águas cristalinas que erguem – se em brumas gasosas...
A minha frente visualizo muitas colinas verdejantes, cobertas por árvores verdes e vividas, a perderem – se de vista. Fecho meus olhos e do céu daquele lugar desce uma corrente cósmica de energia que posso ver a forma... chama – se corrente cósmica de Ísllá.
Esta corrente cósmica desce sobre meu espírito consciencial e uma escadaria surge aos meus pensamentos, ligando – me ao outro lado do penhasco. Desço por elas e sigo por uma estradinha que serpenteia ao lado da montanha, há umidade e vegetação fechada. Um túnel passa pelo centro de uma das montanhas e na beirada águas de uma queda d’água acima, parecem cortinas balançando ao sabor da brisa.
Desço ainda mais pela estradinha que serpenteia ao lado da gigantesca montanha, como se descesse ao subsolo da terra e entro em uma sala laboratório, ao adentrar, as alunas cessam a conversação e vem ao meu encontro cumprimentar – me, pois estamos felizes demais com aquele reencontro.
As identifico como as mulheres que fizeram parte de minha história naquela vida na Escócia e seus rostos encaixam – se em minha mente e as reconheço desta vida atual, como amigas, consultantes de meu consultório, ministrantes de cursos de florais...



Ministrando a nós, vejo nosso querido Mestre Merlyn, só que está mais jovem, com a fisionomia do querido Saint Germain. Todos os dias de estadia ali ou reencarnadas na terra voltamos para aprender, pesquisar e desenvolver nossas próprias experiências particulares relacionadas aos líquidos alquímicos. A sala laboratório submersa nas profundezas da energia daquele lugar auxilia – nos a desenvolver fórmulas e as testamos em trocas entre as alunas e em nós mesmas.
Aquele lugar chamamos de Islla Del Moerte (Ilha da Morte), POR QUE ALI MORREMOS PARA A VIBRAÇÃO ANTIGA, PARA RENASCERMOS EM UMA NOVA FREQUÊNCIA.
Trabalhamos com alegria, amizade, seriedade e espírito desbravador, o que faz com que a cada renascimento nosso em outros orbes, nunca se perca o conhecimento das essências.

Defenda seu Inconsciente.



- Cuide nas mãos de quem você coloca a chave que protege sua mente...

Ontem eu tive uma experiência que há muitos anos eu não enfrentava: Uma pessoa muito próxima, que convivo e respeito muito fez uma "piadinha" com um dos meus maiores sonhos, o qual está em vias de se realizar, pois estou com o foco total sobre ele... Escutei aquela energia ressoar em meus ouvidos e em meu coração e se fosse há uns 10 anos atrás, eu teria brigado, respondido atravessado, me calado e remoído, ou... O pior de tudo, teria duvidado de mim e do que minha alma veio fazer.
Respirei, orientei minha mente inconsciente, a qual no mesmo instante quis registrar aquela "piadinha" e mandei o comando para minha mente inconsciente: - Te orienta e te posiciona, nada de cair na armadilha!!
Pensei o dia todo nas pessoas que não sabem defender seus sonhos, seu foco e seu objetivo deste tipo de evento... Você sabe defender conscientemente seus sonhos? Sabe não vibrar nas piadinhas das pessoas que desdenham ou acham que o que você carrega na alma é motivo para brincadeiras fora de hora?
As pessoas que mais fazem isto, as vezes estão dentro de nossa família, as amamos, são amigas queridas... Defenda seus sonhos, se posicione com sua mente inconsciente, não deixe que este tipo de pessoa e seus comandos sabotem o que você deseja, não importa o que seja que você sonha. O sonho é seu e se ele não fosse possível, o universo amoroso e sábio não teria colocado ele dentro da sua alma, da sua consciência.
Corrija - se quando isto acontecer, não deixe o comando sabotar seu inconsciente e fazer com que ele arquitete sabotagens para te enfraquecer e ao teu sonho.
Não vibre na vibe destas mulheres que não tem um amor e não acreditam nele, não vibre na vibe de quem é miserável e não acredita que merece o dinheiro, não vibre na doença de quem acredita que viver doente é o caminho... E se for preciso se posicione com estas pessoas, se for o caso, se afaste... Não se obrigue a engolir comandos externos, não vacile e deixe que a mente dos outros moldem a tua mente.
Seu inconsciente é uma criança, ele não sabe o que certo, errado, bom ou ruim, ele apenas obedece quando você interioriza e ele é o mais poderoso defensor, pois ele vai absorver o comando e vai lutar, vai envidar todos os esforços e soldados para defender o que você ouve e guarda, seja bom ou ruim.
Escolha com muito cuidado e atenção o que você aceita dentro... e fora de você.
Bom dia, bom dia, bom dia, porque o dia é nosso e é mais uma oportunidade de conhecer a nossa mente e educa - la para nos dar aquilo que sabemos ser merecedores.

domingo, 14 de setembro de 2014

Desenterrando Espelhos...





Nasci e fui criada na Escócia, terra encantada e mágica, onde a magia era a alma daqueles que eram amantes da natureza.

Nasci e cresci na mesma casa por toda uma vida, uma casa no alto de uma linda colina, onde a floresta era feita de encanto puro e onde os pequenos animais transitavam livres e sem medo. A casa de meus pais abrigou meu nascimento, minha infância e toda minha vida adulta. Os perdi muito cedo e fui criada por um instinto de sobrevivência que eu mesma desenvolvera. Quando completei 7 anos minha mãe me entregou um cordão e um amuleto, Voodoo Mestre, onde ela me orientou que ele me protegeria dos demônios e almas que quisessem fazer – me mal. Ela colocou – o no meu pescoço e com ele convivi até a idade adulta.

A casa da infância é muito afastada da cidade e dali posso vislumbra- la lá em baixo, serena e simples, como uma aldeia. Nasci com uma doença rara designada progerismo, a qual faz com que eu nasça com a pele envelhecida e com o passar dos anos, mesmo jovem, pareça uma velha. Não nasci portadora de nenhuma beleza, sou uma mulher muito feia e com aspecto terrível de pele e cabelos, pois eles estão ficando brancos. Recebi muito amor de meus pais, mas quem mais fez parte de minha vida foi minha mãe, a qual me ensinou as lindas magias que hoje eu uso de todo meu coração.

O preconceito do povo aumentou enormemente depois que minha mãe morreu e eu comecei a me desenvolver na vida mais adulta, pois a doença acentuava – se cada vez mais, fazendo com que eu andasse arcada. Com o tempo fui sofrendo cada vez mais ataques verbais e preconceito, ao ponto do povo atacar – me com ameaças, dizendo que eu era uma amaldiçoada. Eu não falo, apenas vou até a vila quando estritamente necessário, pois as agressões são terríveis e sinto – me muito abatida com aquele tratamento. Sofro muito e aquela vida que tenho é muito sofrida, uma vida de solidão, dores, medo e tristeza por ser só e não poder estar com ninguém.

Por longos anos me retirei da vila, iniciei o plantio de meus próprios alimentos e todas as noites eu meditava sobre a lua intensa e adorada ao meu coração. Minha crença é no poder da natureza e não sou adepta de um poder superior exclusivo e com uma forma, eu acredito no poder da terra, na força da natureza e na energia dos astros e da floresta e isto acalenta minha solidão, minha tristeza com aquela vida de exclusão social. A doença me causa limitações atrozes e dores muito fortes e isto, com os anos limitou – me muito na horta e nos afazeres da enorme casa que herdei de meus pais.

Nunca consegui entender o comportamento do povo sobre a feiura que eu possuía, a pele escamosa e envelhecida ao extremo, o corpo arcado e o grande nariz que me deixava com um aspecto ainda mais deprimente e horroroso. Eu vivia, era como era e não atacava ninguém, mas os ataques me machucavam muito emocionalmente e mentalmente. Jamais me relacionei com algum homem, ou com outras pessoas, pois minha mãe me manteve protegida dos olhos da vila e dos que poderiam estranhar minha condição física. Nossa casa era alegre, havia risadas da criança que fui, mas não lembro de eu saber falar, talvez tenha nascido com algum problema na fala, ou na garganta. Meu pai morreu muito mais cedo, permanecendo apenas eu e ela, e uma criada que a ajudava nos afazeres da gigantesca casa.

Lembro dos inúmeros espelhos que existiam ali, por todos os lados, em cada centímetro da casa e de minha mãe me ensinando a olhar para eles e me aceitar como eu era, de forma natural, sem me tratar de forma diferente. Quando ela morreu e eu tive de ir a vila, senti todo peso da ignorância do povo, que me açoitava com palavras ferinas e ameaças de morte se eu voltasse ali.

...Tenho 18 anos e estou totalmente velha e arcada, as doenças de ossos e cartilagens me açoita ao ponto de fazer – me ainda mais torta e envelhecida. Peregrino sozinha por minhas terras e nunca mais tive forças de organizar a enorme casa, pois era sozinha e a idade da doença não me permitia locomover – me com facilidade. Por muitas noites chorei no topo da montanha movendo – me sob a lua e entoando minha fé naquela natureza exuberante e singela. Dormia ao relento, abraçada a terra e embalada pelos raios lunares que acalentavam minha alma solitária.

Quando durmo e saio do corpo eu sou uma mulher linda, exuberante e com cabelos ruivos, meu tom de pele é muito alvo e meu corpo possui formas lindas e jovens... Ando por ali e ao meu encontro sempre vem um homem, muito alto, muito poderoso que sussurra aos meus ouvidos como se me dominasse... E eu o sigo e deixo que seus sussurros me conduzam. Ele é um Mago Negro.

Quando acordo ali, de manhã, sob o sol suave e a brisa da floresta eu não lembro mais dos encontros e dos encantamentos sob os quais ele me mantem cativa...

Meus dias são dolorosos naquele corpo envelhecido, mas minha mente é jovem, eu sinto o vigor e a liberdade da minha mente presa naquele que se desfaz enquanto luto para me locomover. Muitos da vila estão ali, ameaçam – me, dizem que eu vá embora, que sou uma bruxa, um monstro deformado e demoníaco... E aqueles ataques ferem – me imensamente.

Foram embora e minha revolta com aquele corpo, com aquele rosto tenebroso me faz arrancar todos os espelhos da mansão, eu os odeio, odeio a imagem que refletem, pois ela não é aceita pelos que vivem ali... Aquela imagem que as pessoas possuem de mim me fere, dilacera e consome minha paz... Nunca mais quero ver – me outra vez, nunca mais quero ver aquele rosto deformado e velho, aquelas rugas medonhas e escamadas...

Choro muito a solidão de ter de ficar reclusa, sem poder ver ou falar com alguém e me refugio na colina, onde o sol aquece – me todas as manhãs e onde a lua cobre minha tristeza a cada vez que durmo chorando sozinha. Minha alimentação é precária, pois comia o que plantava e já não consigo mais plantar ou cuidar da horta. O peso da doença limita – me como se eu já estivesse com mais de 90 anos. Meu corpo está fraco, mal nutrido e cuidado.

Estou na colina, abri um buraco e estou enterrando todos os espelhos em um ritual de nunca mais olhar para quem eu era, para quem eu havia me tornado. Eu não mais suportava a solidão que aquele rosto e corpo impingiam a minha alma solitária. Junto com eles eu usei toda minha magia, todo meu conhecimento e poder, para enterrar com eles a minha imagem, a minha face deturpada e horrenda...

E por longas noites dormi ao relento sem conseguir ir até a grande casa e sem alimentos, pois não os podia cultivar com minhas mãos deformadas pela doença.

Aquele Mago me acompanhou por toda aquela vida, soprando aos meus ouvidos a minha feiura e a eternidade dela. Ipinotizou – me de uma forma arquitetada, da qual eu não lembrava quando voltava ao corpo. Me mostrou o que fazer para nunca mais me ver, me aceitar e velou aquele contrato por longas vidas até agora, neste momento atual...

Eu morri na colina, embalada pela lua gigantesca e clara, com o rosto recostado na relva que meus pés sempre amaram e sob a proteção do meu Deus da natureza... Morri de fome, dor, tristeza, solidão e velhice precoce... E uma intensa luz veio buscar minha alma naquele lugar...



Quando acordei na vida atual, agora, no século XXI, eu lutava a braços dados com a visão do meu rosto, do meu corpo e envolvida por aquele Mago Negro que havia reencarnado e vivia ao meu lado. Eu havia passado mais de 30 anos detestando e sofrendo com minha imagem e havia recusado ela perante espelhos por longas décadas de inaceitação e baixa autoestima...



E naquele dia atual eu desci as escadarias do submundo e encontrei aquele que me manipulara naquele ritual, usando minha fraqueza e esquecimento e que me prendera junto com aqueles espelhos antigos. Voltei naquela colina e ajoelhada eu decidi que não mais desejava fugir de minha imagem, do meu rosto atual e do corpo que eu tinha. Eu queria me ver, eu queria me aceitar e não entendia porque era tão dolorosa esta etapa...

Ali, eu desenterrei os espelhos e chorei a solidão que ela tinha vivido naquela vida, chorei o abuso do povo ignorante, chorei as dores atrozes que ela sentira e a falta de pessoas que a amassem... Chorei o abandono que ela causou – se ao decidir que não mais suportava conviver com aquela com quem fora um dia...

Chorei a ignorância e preconceito do povo e a perda da mãe que a amara e protegera...

Chorei a falta de auxílio que ela não teve, a fome que ela enfrentou e lavei minha alma presenciando a humildade com a qual ela resgatou aquele fardo cruel... Pois apesar de tudo, ela fora inocente, não desejara mal a ninguém e nunca reclamara ao seu poder superior...

Ali, eu atual, enverguei a força dela, que era um pedaço de minha alma e a amei, amei aquela forma, aquele corpo, aquela solidão, aquele auto – esforço para vencer e a garra de passar por aquele resgate doloroso... E a amei por ter se transformado em mim, em quem nós duas somos hoje, em quem nos transformamos perante tanta dor, no caminho das vidas sucessivas...

E sob a lua gigantesca do vale, sob a brisa da minha saudosa Escócia eu e ela desenterramos os espelhos e o pacto, desenterramos nossa dor, nossa vergonha, nosso medo da solidão... Ali, junto aos espelhos eu encontrei o cordão com o amuleto que a mãe nos dera, com os espelhos eu , nós enterramos a proteção contra as almas, contra os demônios e nos deixamos a mercê daquele espírito, daquele Mago Negro... Ali, nós duas vimos quando ele se aproximou e enfrentamos juntas o resgate de nosso poder intimo, de nossa crença em nós mesmas, retomando o controle de nossas vidas e retirando – a das mãos dele e de qualquer outro que tentasse nos dominar e enganar.

Coloquei o cordão com o amuleto no pescoço e invoquei todas as mulheres que já havíamos sido até aqui... Mulheres lindas e guerreiras, que eram muito além de um corpo, de uma forma, de uma doença, de uma manipulação escondida... Ali revogamos o contrato com aquele ser do Submundo e incorporamos nosso poder de decidir, de enfrentar e não mais precisar da dor... Uma intensa luz desceu do céu naquela noite serena e iluminou aqueles espelhos, desintegrando o pacto, o Contrato de não vermos nossa imagem refletida em espelhos, refletida no mundo que nos pertencia e a todos que fizessem parte dele...

Revogamos o auto – amor, o autorrespeito e a auto – aceitação... E choramos por relembrar o poder que nos pertencia e que jamais deveria ter saído de nossas mãos... Sorri ao ver minha imagem refletida nos espelhos que se desfaziam com a luz do Criador de almas e ela partiu com a mãe que viera busca – la, enquanto eu parti dali com Wal...

A solidão não era mais um monstro, ela não existia de verdade, pois os anjos do criador sempre haviam estado do nosso lado, ao lado dela e ao meu, me levando depois de tantas vidas até ali, onde estava encrustado o Contrato Sabotador...

A gratidão por aquele momento, por ter o merecimento de desfazer algo que a tantas vidas me prendia era suficiente para que eu a libertasse para ser uma parte mais equilibrada de mim, e para que ela me permitisse viver quem eu , quem ela, havia se transformado.

Nós duas estávamos livres para viver mais uma história, para seguir usando nosso poder e apreciando quem havíamos nos transformado... Mulheres guerreiras, conscientes e dispostas ao bem para revogar o que havíamos abandonado na ignorância que toda alma possui quando está caminhando em direção ao Criador, em direção a verdadeira casa, ao verdadeiro Contrato Original, resgatar – se por inteiro para nunca mais precisar ser partícula solta, esquecida, solitária... Nas mãos alheias...

Amor eterno Wal... O maior amor que cabe em mim... E que por amar – me incondicional, segue – me resgatando e protegendo além das fronteiras dos meus olhos e vendas ilusórias físicas...

Gratidão Anjo meu.


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Há mágoa e eu não entendo de onde vem...



"Quando escrevo, peço que o universo guie estas frases para que elas alcancem aqueles que precisam e que estão prontos para entender. Desejo de minha alma que estes relatos de regressões sirvam para esclarecer sintomas que na maioria das vezes não podem ser explicados por muitos profissionais tradicionais que procuramos, mas que na maioria das vezes são esclarecidos pela luz da TERAPIA DE REGRESSÃO DE MEMÓRIA ÉTICA, onde não guiamos as recordações dos que nos buscam, mas servimos de auxiliares para os queridos Mentores Espirituais que utilizam – se de nossos estudos e boa vontade dentro da causa, para levar consolo e libertação para aqueles que buscam, desesperados, a cura para suas dores “fantasmas”."
Com todo meu respeito, ética e responsabilidade, coloco a frente de quem quiser estudar, e refletir, o material de longos anos de trabalho e dedicação, na área da Psicoterapia.



Sintomas da paciente: Houve uma separação definitiva entre eu e meu marido, nosso casamento acabou e sinto a vontade enorme de continuar amando – o como um amigo querido, que sempre foi dentro deste casamento, apesar de todas as angústias que eu sentia quando ele me tocava e do imenso medo de ser machucada emocionalmente por ele. Apesar de não ter conseguido ama – lo como ele mereceu, sinto que mesmo carregando mágoas que ainda não entendo, consegui sentir por ele o que eu sempre precisei, o amor de alguém que lhe quer todo o bem do mundo.
“Acordei vendo uma menina de uns cinco anos de idade olhando para alguém... senti vontade de chorar e um desespero enorme se apossou de mim...”


Sessão de Regressão do dia 17 de outubro de 2013.

Paciente relatando: “Sou uma menina de uns 5 anos, olhos verdes, cabelos longos, castanhos claros presos em 2 colinhas, uma de cada lado da cabeça. Sou uma criança muito bonita, estou usando um calção curtinho e uma mini blusa, meus pés estão descalços. As meninas convidaram – me para ir em algum lugar e meus olhos apaixonados buscam os olhos de meu pai em busca de um consentimento. Ele apenas faz um gesto com a mão mandando que eu vá. Meu pai é muito alto e magro, fuma muito e está sujo, assim como eu.
Somos de uma vida miserável, temos pouca água e moramos em um amontoado de tábuas e chão de terra batida e úmida. As crianças por ali são mais morenas do que eu. Não tenho mãe, não sei o que houve com ela, meu pai mal fala e nunca sobre este assunto. Mas não me importo, eu sou apaixonada por ele e meus olhos sempre o buscam. Ele não me dá muitas atenções, nem carinho, mas a veneração que tenho por ele me basta.
A rua é de chão batido, há muitos casebres, esgoto a céu aberto...
Estou indo com as meninas, elas não tem mais do que sete a doze anos de idade.
...Não gosto de onde estou, elas estão se prostituindo e estou com medo, preciso desesperadamente voltar para perto de meu pai, sinto necessidade da segurança que a presença dele me dá.
...Um homem muito arrumado e cheiroso me aborda, mas não quero conversa com ele, estou com medo e só consigo pensar na segurança da companhia do meu pai. Meus olhos infantis e acostumados a miséria, nunca tinham visto um homem tão arrumado e cheiroso. Ele tem anéis e pulseiras brilhantes e um relógio muito grande no pulso.
Recuso – me a conversar com ele e desvio os olhos e baixo a cabeça em negação, ele não insiste...
...Já é noite, estou com muito frio e fome. As meninas maiores estão trazendo outra que chora, ela tem sangue que escorre pelas pernas. Não entendo muito bem o que está acontecendo, mas acelero meu passo para alcançar elas.
...Cheguei em casa, meu pai está jogado a um canto como sempre, me aproximo e lhe beijo, mas ele não retribui.
Deito, estou com fome, mas não há o que comer. Minha cama fica no chão, sobre madeiras velhas e cobertas duras e puídas. Eu não me importo, sinto – me bem ao lado de meu pai.
- (Identifico neste pai o espírito de meu ex marido).
...Alguém está chamando lá fora, na porta de nossa casa vejo aquele homem que me abordou na rua, ele conversa com meu pai e vejo ele dar dinheiro. Meu pai me chama e diz que vou com aquele homem e eu o obedeço.
...Estou sendo estuprada com violência, a dor que sinto é terrível e sinto arder muito. Aquele homem empurra minha cabeça contra a parede com violência e sinto dor e fisgadas. Não consigo gritar, só choro, o choque emocional é intenso e sou muito pequena para me defender dele.
Meu pai me vendeu e a desilusão, a dor e a mágoa que explodem em minha alma infantil são terríveis.
...Aquele homem está me devolvendo para meu pai, entro em casa e procuro os olhos do meu pai e ele age como se eu não existisse. Sinto muita dor e sangue escorre pelas minhas pernas.
Não consigo segurar a urina e acabo molhando minhas cobertas, sinto muito frio e dor... Mas não reclamo, não entendo muito bem o que aconteceu...
...Não sei quanto tempo se passou, não paro de sentir frio e dor. Continuo urinando e sangrando “perna à baixo”. As crianças brincam na rua pobre, mas não sinto ânimo para ir brincar com elas. Meu pai continua ignorando minha situação e a minha presença como sempre fez.
...Estou deitada em minha cama, meu pai chegou da rua, bêbado e me entrega uma maçã... Não sinto fome...
A noite caiu e sinto ainda mais frio, meus olhos chorosos não se desviam da figura de meu pai, recostado mais adiante...
...Estou morrendo, meus olhos não se desviam de meu pai...
...Há anjos de luz comigo, eles retiram – me daquele corpo com muito amor e delicadeza e colocam – me sobre uma maca muito limpa.
...Estou em um jardim com árvores, crianças brincando alegres, mas eu não sou alegre, tento brincar, mas ainda sinto dor em minha barriga...
Um Mentor tenta me auxiliar, me dá um copo com um preparo pastoso, mas não gosto da proximidade com homens, estou muito desconfiada...
...Uma Mentora vem ao meu encontro, diz que vai cuidar de mim e eu confio plenamente nela e aceito a mão que me estende. Diz que vai me levar a um lugar...
...Estou em um berçário, há muitos bebês e todos são meninos, devem ter de três a quatro meses de idade, todos deitados sem roupinhas.
A Mentora diz que se eu quiser, posso ficar ali e ajudar, o que aceito prontamente. Há um bebê ali que me cativa, dedico todo meu tempo e atenções a ele. O amo e me é permitido passear com ele pelos jardins da colônia.
...Não sei quanto tempo se passou, mas estou sentada na grama com o bebê. A Mentora diz que para continuar cuidando dele eu terei de me tratar, cuidar mais de mim e daquela dor que sinto...
Aceito prontamente, pois o amo e não saberia me separar dele.
- (Este bebê é o espírito de meu pai).
Recebo tratamento nas câmaras e posso leva – lo comigo, um ou outro enfermeiro o segura para que eu seja tratada.
Já sinto pouquíssima dor no canal vaginal, uretra e bexiga, controlo a urina e ainda sou a mesma menina – criança daquela vida pobre na terra.
Meus olhos não perdem aquela criança de vista e ele solicita minha presença também.
A Mentora não me apressa, ela segue meu ritmo de cura, aceitação e entendimento do que ocorre comigo. Diz que vou começar o processo de miniaturização, pois vou reencarnar. Diz também, que eu não me preocupe, pois não vão me separar do bebê.
Estou muito tranqüila, ela diz que ele vai comigo para a câmara de miniaturização e que descerei apenas um pouco antes dele e que logo ele me encontrará na terra.
...Estou dentro de uma cápsula de vidro, confortável, onde posso ficar semi – deitada, na cápsula ao meu lado está o bebê.
Consigo ver a Mentora observando – nos, ela tem o semblante sereno, amoroso e feliz.


Também me sinto bem, pois ele vai me acompanhar...

terça-feira, 9 de setembro de 2014

E eu renasci para contar...




Voltando atrás, nas decisões de um passado distante...


Regressão:

...Vivo nas montanhas, a vida aqui é solitária e reclusa, pois a cidade mais próxima fica a quilômetros de distancia. Moro no lindo topo de uma montanha coberta da mais branca e suave neve. Tenho uma estação de esqui ali, mas apenas administro, pois tenho quem faça o restante, como funcionários. Minha vida é escrever, sou escritor e amo o que faço, de todo meu coração. Passo minha vida neste estado de espírito, como se fosse o ar que respiro, como se em cada momento em que lanço um novo livro eu renascesse dentro de mim mesmo.

Sou um homem, minha estatura é muito alta e meu corpo atlético. Sou caucasiano e tenho longos cabelos lisos e castanhos, que mantenho soltos. Amo os ventos das montanhas e a sensação dos fios livres a esvoaçar. Tenho uma gigantesca casa ali, com salões cobertos de lareiras e aquecedores, tudo muito luxuoso, mas a o mesmo tempo rústico e simples. Os visitantes adoram o lugar e toda temporada eles aportam por ali, atrás de esportes radicais, esqui e paz.

Tenho dinheiro suficiente para manter tudo que desejo, meus livros vendem muito bem e a vida para mim, tornou – se um eterno retirar – se para dentro de mim mesmo e viajar nas minhas páginas... Apesar do amor pelo que faço, há algum tempo venho sentindo um grande vazio existencial, como se faltasse algo na minha vida, nos meus livros, como se eu precisasse de algo novo, de histórias reais que prendessem minha alma e a alma dos meus leitores.

E eu enviei aquele comando para o universo, pedi que algo novo acontecesse e que eu pudesse viajar dentro de um livro interessante, vivaz, com novas aventuras, porém verdadeiras.

...Um homem chegou à montanha, conhece minha fama de escritor, sabe quem sou e veio me fazer uma proposta. Quer sociedade ali no lugar, para encontros de um grande grupo de seguidores de uma seita, a qual estimula nos participantes, adeptos aos rituais, o envolvimento com pactos, contratos com o mundo espiritual. Explica – me que tudo que obteve até aquele momento ele deve ao conhecimento e inclusão a esta seita. Diz que sua história de vida mudou desde o momento em que ela cruzou seu caminho e que sua insatisfação foi embora no momento em que aceitou vivenciar aquela filosofia de vida.

Me sinto impelido a conhecer aqueles que fazem parte do grupo, que vivem coisas maravilhosas e que não mais sentem aquele vazio existencial que eu me debato para escapar todos os dias. Sinto como se o universo generoso até aquele momento comigo, houvesse me trazido mais um presente e minha curiosidade nata de escritor grita por novidades, emoção, mundos ainda não desbravados.

Com o tempo eu fechei a estação para turistas e visitantes locais e a consagrei somente para nossa seita e nossos encontros frequentes, pois sempre havia centenas de pessoas em busca daquele mundo novo e próspero que envolvia os pactos e rituais mentais.

A vida se tornou mais rica, cativante e emocionante aos meus olhos e sentidos, pois no contato com todo aquele mundo extrafísico, eu descobri em minha alma um poder nunca antes desenvolvido, a minha mediunidade, a qual me mostrava detalhes do que ocorria em nossos encontros. Eu fiquei fascinado por aqueles seres que vinham nos buscar e que íamos ao encontro em outros planos mentais de nossa consciência e existência. Nossos corpos ficavam ali na grande sala aquecida e aconchegante de minha estação colônia, mas nossas almas, nossa consciência viajava a lugares que eu jamais havia sonhado existire, eu presenciava contratos jamais mensurados e quando abria os olhos no mundo físico, eu via serem cumpridos os contratos, pactos, promessas e aqueles humanos ganharem ainda mais status, riqueza, relacionamentos, bens materiais e o que desejassem. Eu mesmo, ao dedicar meu tempo a narrar tudo aquilo em livros, encantei milhares, vendi milhões e fiquei ainda mais rico do que já era, sem ter o que fazer com aquele dinheiro, pois meu grande amor e paixão eram minhas mãos, minha mente e meu dom de narrar com precisão aquilo que eu sentia na minha alma.

Os encontros eram secretos e abertos somente para aqueles de confiança e que mostravam realmente desejar a inclusão nos grupos que se formavam. Eram pessoas ricas, poderosas e humildes também, que vinham aprender o segredo do sucesso, da fartura e da felicidade. Era uma vida envolvente, experiências cativantes e o contato com aqueles seres de outros planos nos faziam reféns de nossa busca por cada vez mais...

A presença daqueles chefes espirituais era um pouco assustadora, mas assim como os respeitávamos e acionávamos contratos com estes, eles também se mantinham respeitosos conosco, cada qual cumprindo seu papel na contratação.

Eu assumi com o grande Senhor dos Contratos, o grande regente daquela organização, a tarefa de dedicar minhas mãos, meu dom, minha mente a escrever nos meus livros o resultado maravilhoso que aqueles pactos traziam para a vida daquelas pessoas. Assumi por amor espalhar, disseminar a narrativa emocionante e real daquela vida de sonhos que se realizavam, dos amores que aconteciam, dos objetivos que se concretizavam. E com esta dedicação meus livros venderam como nunca, cada lançamento trazia milhares de adeptos que desejavam vivenciar aquela vida.

Passei mais de 20 anos escrevendo com afinco, vendo todos os dias relatos dos que conquistavam, ao entrar na seita, seus sonhos, seus objetivos, de uma forma que antes nunca surtira o efeito desejado.

Eu sentia o prazer na alma de sentar ali, fechar meus olhos físicos e ir com aquela pessoa até o submundo e presenciar seu contrato, suas promessas e a colaboração daqueles chefes para que tudo saísse a contento na terra. Eu viajei por mentes, mundos, consciências externas e vivi o que ninguém jamais viveu até ali, como se um poder maior me desse a chance de ter aquele dom e poder usa – lo para fazer o que eu amava, narrar e transformar em livros, em asas, para que estas alçassem voo e aterrizassem nas mãos e no mundo daqueles que desejavam aquele mundo de contratos e sucesso.

Eu amava mais do que tudo poder mostrar que tudo aquilo era real e que haviam resultados físicos para comprovar...

Dentro daquele mundo eu casei com uma mulher que seguia os preceitos daquela filosofia de vida, fomos muito felizes juntos e nos respeitamos até o momento final, lado a lado trabalhando para disseminar aquela vida que nos dava tudo que desejávamos e que nos arrancara do vazio existencial.

Convivi por longas décadas com meu sócio, o qual também tinha uma vida de sonhos e disseminava aquele trabalho. Fora uma união de sucesso e amizade entre nós três.

Mas ao longo dos anos eu comecei a acordar com resquícios de sonhos na minha mente... De um homem que conversava comigo durante o sono físico e que tentava me dizer algo, que ao acordar, eu não lembrava. Eu havia, em um contrato, dado permissão para que um véu de energia me protegesse de ataques que tentassem me desviar daquela missão que era divulgar aquela filosofia de vida, o qual não me deixava relembrar o que era conversado com aquele homem de branco que me abordava paciencioso todas as noites...

Por longas décadas eu vivi daquele momento de entregar – me a minha mesa de trabalho e voar além das asas da imaginação, indo ao encontro do grande senhor dos contratos e ouvindo – o me orientar para que pudesse registar nos livros seus ensinamentos. Mas aquele homem de branco não saíra mais dos meus pensamentos...

Por longas décadas ele tentara me orientar que eu estava em um rumo desconhecido e perigoso... Tentara me mostrar que os contratos iam além do que víamos e que toda aquela vida de sonhos era cobrada mais cedo ou mais tarde.

Presenciamos muitos adeptos relatarem o aparecimento do tal vazio existencial outra vez, e este cada vez mais forte e aterrador, que os contratos não conseguiam sanar, eu mesmo me sentia assim em alguns momentos e então recontratávamos mais coisas, mais subterfúgios para não sentir aquele monstro...

Muitos suicidaram – se, perderam a fé nos contratos, abandonaram a seita e sumiram sem deixar rastros, acabávamos sabendo depois de seus suicídios... O que começou a me intrigar e aumentar o vazio...

Ali na montanha havia um precipício que não conseguíamos divisar o fim e onde, em momentos de sono físico, nossas almas eram levadas para assistir a outras almas, dos que queriam desvincular – se, serem ritualizadas e jogadas naquele abismo... Nos faziam registrar a ameaça e nos faziam registra – la no inconsciente para não os desobedecer, com medo de ter o mesmo fim... E quando acordávamos, esquecíamos a ameaça, mas guardávamos o medo, o pavor de passar por aquilo...

Eu perdi para a morte a esposa e o sócio, com pouco tempo de diferença, o que me deixou completamente só naquele lugar. O que eu sentia, o que eu via não era mais o que presenciara no começo. Por mais que tentassem me coagir durante o sono, os resultados físicos que eu observava nos participantes não era a vida de sonhos que haviam nos prometido. Todos estavam tendo desfechos estranhos... E o prazer de narrar do começo começou a se confundir com o vazio e insatisfação de sempre acordar com a lembrança daquele homem de branco que tentava me mostrar outro caminho e eu lhe mostrava que nossas escolhas eram corretas, pois não comprometíamos ninguém, somente a nós mesmos naqueles contratos e que não havia mal nenhum em desejar tudo de que éramos merecedores.

...Eu estou sentado na beira do precipício, faz alguns anos que parei de escrever com tanta intensidade e deixei de receber adeptos ali na estação, a vida sem minha esposa e sem meu sócio não tem o mesmo valor, a mesma felicidade de antes.

Estou com mais de 50 anos e sinto o vento gélido açoitar meu rosto, minha cabeça e meu corpo. Estou bastante fora da realidade, cobram – me um pacto que não sinto mais o prazer de realizar, que é escrever para cativar mais adépitos. Simplesmente ignoro os chamados, as descidas e durante o sono eu fico ali, ouvindo o homem de branco, mas ainda discordo de muito que ele fala – me.

Eu vou me matar, eu já decidi, quero jogar – me naquele buraco negro e cair para sempre, em um vazio que se apaga com a queda...

Cortei meus dois pulsos, profundamente e sei que tenho pouco tempo para realizar com sucesso aquele ato, pois não desejo continuar vivo. Então, com precisão e força, eu passo a grande faca afiada no meu pescoço e lanço meu corpo para a frente, não sem antes sentir como se alguém chutasse minhas costas para que eu caísse de uma vez. Então eu sinto o vácuo do abismo, o frio gélido das montanhas e a dor momentânea dos ferimentos...

Mas nada se apagou, nada sumiu ou eu deixei de existir como castigo, que era o que nos prometiam se desobedecêssemos...

Eu acordei no chão do abismo, ainda o mesmo homem, ainda o mesmo escritor, ainda o mesmo sonhador... Mas ao meu redor estavam outras pessoas, as que sumiam dos grupos, as que sabíamos ter morrido pelo suicídio... Todos andavam por ali, naquela gruta ou caverna, eu não sabia definir aquele isolamento, como se estivessem alienados, vazios de si mesmos, a esmo... E eu fazia o que sabia fazer de melhor, eu observava e tentava concatenar, entender o que estava acontecendo comigo, com todos... Volta e meia um gigantesco trem cruzava o meio da caverna transportando seres alienados, aos gritos, olhos negros profundos, a loucura a enraizar – se pela alma sem fim... E eu recuava e sentia medo de que me fizessem entrar naquele trem de almas do purgatório, que eram remanejadas para outros lugares... Então meus olhos focavam uma jovem moça que sempre estivera por ali, andando por entre aquelas almas desnorteadas, usando um longo vestido e que acudia a todos que lhe solicitassem cuidados. Ela era a personificação da minha segurança, da minha paz e da minha estabilidade mental naquele lugar... Era como uma irmã mais velha, mais madura, uma enfermeira sem uniforme... Só o fato de olhar para ela, me dava a calma que eu lutava para manter, acalmar a culpa que eu carregava na minha ignorância... Por muitos anos eu a observei sem coragem de chama – la e ela nunca me abordou... Continuava seu trabalho de curar, acalmar e estancar feridas...

Nos momentos de loucura em que me via açoitado por cobranças mentais que invadiam aquele lugar e que provinham do Senhor dos Contratos, eu fugia para minha casa no topo da montanha e entrava no meu amado refúgio de escritor e tentava escrever para fugir da opressão, mas ele não me deixava, pois eu tinha um pacto para escrever somente para ele e como ele desejava. Então eu voltava para a caverna no precipício e ficava analisando o desfecho de toda aquela gente e o desfecho de seus contratos...

E quando não suportei mais a inatividade, a culpa e a dor por não conseguir escrever eu olhei para aquela moça e fiz questão de ser notado por ela, e então ela veio ao meu encontro com um sorriso.

- Precisa de algo? (Perguntou – me gentil.)

- Você poderia me dar papel e caneta? (Foi minha dor humilde que falou por mim naquele momento, eu não queria mais nada, nem cura, nem cicatrizar minhas feridas ou usar o tempo dela, eu só queria meus grandes amores, papel, caneta e a liberdade de escrever, nem que fosse daquele lugar.)

Mais que depressa ela voltou com blocos de papel e canetas e me deixou só... E dali em diante eu fiquei sentado naquele canto sozinho, sem interferir em nada e sem querer entender o que quer que fosse, escutei minha alma e minha intuição e fiz naturalmente o que me pediam: narrei cada história que eu presenciava ali dentro, cada rosto transfigurado que chegava e o assombro daquele trem de almas do purgatório que fazia escala ali... E dei graças a Deus por ter aquele canto, escorado na rocha, sentado no chão, com meus blocos, minha caneta e minha liberdade de escrever sem interrupções. Narrei cada desastre, cada desfecho das almas que viam que os pactos e seitas não eram o que prometiam e o que mostravam... Cada tragédia que ali dentro repercutia e contei a verdade da alma e não mais dos olhos ignorantes e egóicos...

A moça se aproximou e apontou para os amontoados de blocos que haviam ao meu lado, pilhas e pilhas deles...

- Você escreveu muito todo este tempo...

Eu olhei as pilhas de blocos, meus tesouros naquele lugar e sorri com paz na alma.

- Sim...

Eu me sentia em paz, porque contava a real faceta de uma filosofia de vida que destruíra todos que passavam por ali, como se isto fosse uma das muitas chaves que soltariam minha algemas...

- Venha comigo, algumas pessoas querem te ver.

Olhei para os blocos e ela me acalmou: - Vamos guardar para você em local seguro, eles serão devolvidos assim que vier comigo.

Vi muitos enfermeiros recolhendo meus blocos, ali havia muitas vidas narradas e minha própria.

- Há mais de 20 anos tu está aí, escrevendo... (Ela me disse com suavidade.)

Eu me surpreendi e a segui por um corredor de pedras que transformou – se em um corredor iluminado e cheio de portas. Ela abriu uma delas e deu – me passagem.

Seres esperavam – me de pé e fui recebido com simplicidade.

- Somos o conselho kármico e estamos aqui para organizar seu renascimento. Você irá renascer e levará com você tudo que escreveu, a experiência e o dom da mediunidade, mas desta vez, irá narrar o que realmente acontece nos contratos, nos pactos, nas seitas... O lado obscuro que os iniciados não são informados. E teu resgate missão será resgatar o sócio e a esposa e todos aqueles que perderam – se ignorantemente nesta senda e que precisam desfazer os contratos assumidos em outras vidas.

Teu dom servirá para alertar e resgatar com o Início dos Contratos Sagrados. Deste trabalho acontecerá o nascimento de livros que contarão o que ocorre no submundo e o que acontece de maravilhoso com quem decide enfrentar este lado e desvincular – se.

Ali havia homens e mulheres em espírito, muito sérios, firmes, porém amorosos, sabiam o que eu tinha de fazer e estavam ali para me informar.

- Se não desejas esta missão de resgate, o deixaremos livre, porém ainda ligado os Senhor dos Contratos Deturpados e teu dom de escrever e presenciar o outro mundo, sob a égide das mãos dele.

Senti – me muito mal naquele momento, como se não fosse merecedor de renascer... E passei mal. Disseram – me para deixar sair de dentro de mim o monstro das limitações que assumi ao contratar servidão, pois tentariam me fazer desistir de escrever sobre o bem de descontratar... E eu permiti que aquele mal estar me açoitasse e partisse naquele momento... Quando ergui meus olhos, na roda de seres, estava o homem de branco que me visitava quando estava vivo na terra. Ele abriu um enorme sorriso e seus olhos brilharam quando o identifiquei. Senti vergonha de minha teimosia em relutar com ele e tentar convence – lo de que eu estava com a razão... Mas ele veio ao meu encontro e me abraçou em sua imensidão... E eu me senti nos braços de um pai, amado e seguro de tudo que poderia me fazer mal...

Era Wal que me abraçava e me tirou daquele lugar, levando – me para minha consciência como Paula. Abaixou – se colocando os joelhos no chão e eu também fiz o mesmo, para ficar mais condizente com a enorme estatura de Wal... Ele me abraçou e beijou minha testa, me falou do meu poder, do que eu podia com minha mente e com meu dom de escrever e ministrar os contratos...

Me falou dos futuros Ministrantes dos Contratos e da minha missão com esta ferramenta... E eu fiquei abraçada a ele, sentido sua força, seu amor por mim e a fé que ele, uma alma evoluída, colocava em minha alma a engatinhar pela escuridão de minha inconsciência...

E ali eu soube que nada era um acaso do destino, as almas que vinham não eram coincidência... O aviso do livro não era uma ilusão...

Os ventos das programações começavam a soprar e precisávamos trabalhar para a tempo, desenvolver um trabalho que irá me acompanhar em muitas outras vidas que terei...